Você sabia que o ILPF não é um sistema único, mas uma família de combinações — e todas elas ajudam a propriedade a enfrentar melhor o clima cada vez mais instável?
Além da integração completa entre lavoura, pecuária e floresta (o ILPF), existem variações que podem ser adotadas conforme a realidade de cada propriedade:
- ILP: Integração Lavoura-Pecuária
- ILF: Integração Lavoura-Floresta
- IPF: Integração Pecuária-Floresta
O produtor pode inclusive alternar entre essas combinações de um ano para o outro, de acordo com a fase de produção da área.
O que une todas essas modalidades é a capacidade de dar mais resiliência à propriedade diante de secas mais longas, chuvas irregulares e ondas de calor — efeitos que os episódios de El Niño têm deixado cada vez mais fortes. Ao integrar árvores, pasto e lavoura na mesma área, o sistema melhora a retenção de água no solo, reduz a temperatura e o estresse térmico dos animais, e mantém a produção mais estável mesmo em anos de clima adverso.
Isso sem abrir mão da rentabilidade: propriedades com ILPF conseguem diversificar a fonte de renda — grão, carne e madeira na mesma área — e ainda produzir com rastreabilidade e certificação ambiental, cada vez mais exigidas pelos mercados compradores.
Desde 2011, a Embrapa Agrossilvipastoril testa essas combinações numa área de 110 hectares, comparando diferentes arranjos — como eucalipto em monocultura, soja em sucessão com milho consorciado com braquiária, soja com milho em monocultivo e pastagem solteira — para identificar qual sistema entrega melhor resultado técnico, ambiental e econômico a longo prazo.
Saiba mais sobre cada modalidade
ILP — Lavoura-Pecuária (sistema agropastoril)
Une grãos e gado na mesma área, mas em épocas diferentes do ano. O produtor planta a lavoura de verão, como soja ou milho. Depois da colheita, entra o capim, e o gado ocupa a área durante o inverno. Quando a estação termina, os animais saem, o capim é manejado como palhada de proteção do solo, e a lavoura de grãos volta a ser plantada — reiniciando o ciclo.
ILF — Lavoura-Floresta (sistema silviagrícola)
Combina lavoura com árvores plantadas em fileiras (os chamados renques), com espaçamento largo entre elas. Nesse espaço central, o produtor cultiva soja, milho, arroz ou feijão nos primeiros anos. Conforme as árvores crescem e a sombra aumenta, o cultivo de grãos vai perdendo espaço, até que a lavoura é substituída pela colheita de madeira ou frutos das próprias árvores.
IPF — Pecuária-Floresta (sistema silvipastoril)
Une gado e árvores, sem passar pela fase de grãos. O pasto é implantado junto com as linhas de árvores, e o gado só entra na área quando elas atingem altura suficiente para não serem danificadas pelos animais. Na prática, o gado ganha sombra e conforto térmico, o que melhora o desempenho na produção de carne ou leite.
ILPF — Lavoura-Pecuária-Floresta (sistema agrossilvipastoril)
É a integração completa, reunindo lavoura, pecuária e floresta na mesma propriedade. Nos primeiros anos, grãos, capim e árvores são implantados juntos. Depois da colheita dos grãos, o pasto já está formado e protegido pela sombra das árvores, e o gado entra para engorda. Anos mais tarde, as árvores podem ser cortadas para a venda de madeira, e o ciclo recomeça na mesma área.
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