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Agro bate recorde e emprega 1 em cada 4 trabalhadores no Brasil

Agro bate recorde e emprega 1 em cada 4 trabalhadores no BrasilNúmero cresceu 1,3% em relação ao trimestre anterior. Foto: Secom-MT

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Por André Garcia

O agronegócio brasileiro alcançou 28,58 milhões de trabalhadores no terceiro trimestre de 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2012. Com isso, o setor passou a concentrar 26,35% de todos os ocupados do país, ou seja, mais de um em cada quatro brasileiros que trabalham.

Os dados são do Boletim Mercado de Trabalho no Agronegócio, feito pelo Cepea em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado acompanha o bom momento do mercado de trabalho nacional, que registrou taxa de desemprego mínima histórica de 5,6% no período.

Na comparação com o trimestre anterior, o número de trabalhadores no agronegócio cresceu 1,3%, o equivalente a cerca de 367 mil pessoas. No mesmo período, o mercado de trabalho brasileiro como um todo praticamente não avançou, com alta de apenas 0,1%.

“Esse desempenho reflete a recuperação da demanda, impulsionada pelas condições favoráveis de crédito para consumo e investimento no período pós-pandemia, com a taxa Selic em patamares relativamente baixos. Mais recentemente, essa recuperação tem sido potencializada pelo direcionamento de crédito subsidiado ao setor”, diz trecho do relatório.

Produção dentro da porteira lidera avanço

O segmento primário foi o principal responsável pelo crescimento, com alta de 3,4% em relação ao trimestre anterior e acréscimo de cerca de 260 mil pessoas. Houve expansão tanto nas lavouras quanto na pecuária, com destaque para a soja, cana-de-açúcar, cacau e produção florestal, além da suinocultura, avicultura e aquicultura.

Emprego cresce em todos os elos do setor

Além disso, a agroindústria ampliou o número de trabalhadores em 1,2%, impulsionada principalmente por segmentos como bebidas, móveis de madeira, papel e celulose e vestuário. Já os agrosserviços, que incluem transporte, armazenamento, comercialização e atividades administrativas ligadas ao setor, avançaram 0,5%.

Na comparação anual, entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, o agronegócio registrou aumento de trabalhadores em todos os segmentos. No setor de agrosserviços, a expansão foi de 4,5%, reflexo da maior movimentação da cadeia produtiva e do bom desempenho geral da agropecuária e da agroindústria.

“De forma geral, o crescimento das ocupações nesse segmento está fortemente associado à retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos agropecuários até a fabricação de insumos – reflexo, em última instância, das transformações econômicas vivenciadas pelo agronegócio.”

Mudanças estruturais no campo influenciam emprego

Segundo o relatório, transformações tecnológicas e questões demográficas, como a redução do tamanho das famílias rurais e a migração de jovens para centros urbanos, têm mudado o perfil da mão de obra.

“Verifica-se um deslocamento de trabalhadores para outros segmentos, como a agroindústria e os serviços agropecuários, que têm absorvido parte significativa dessa mão de obra. Esse reposicionamento acompanha um padrão comum em economias em desenvolvimento”, dizem os autores.

Perfil da mão de obra mostra formalização e qualificação

Neste contexto, o número de trabalhadores cresceu em praticamente todas as categorias de ocupação. Os empregados com carteira assinada representam 34,7% da força de trabalho e atingiram recorde de 9,67 milhões de pessoas. Também houve avanço dos trabalhadores por conta própria e no nível de escolaridade.

“Iniciativas voltadas à formação profissional, ao suporte técnico e ao incentivo à adoção de tecnologias são essenciais para que esses produtores se ajustem às mudanças do setor e participem de forma competitiva do desenvolvimento do agronegócio”, avaliam.

Rendimentos seguem abaixo da média nacional

Apesar da expansão do emprego, os salários médios do agronegócio continuam inferiores aos registrados no conjunto da economia. No terceiro trimestre de 2025, o rendimento médio mensal dos empregados do setor foi de R$ 2.760, enquanto a média nacional alcançou R$ 3.279.

Entre empregadores e trabalhadores por conta própria, a diferença também persiste, embora todos os grupos tenham apresentado aumento real de renda na comparação com o ano anterior.

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