O agronegócio brasileiro iniciou 2026 mantendo protagonismo na balança comercial. Em janeiro, as exportações do setor somaram US$ 10,8 bilhões, resultado que, embora 2,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, representou o terceiro maior valor da série histórica para meses de janeiro.
O desempenho foi sustentado pelo aumento de 7% no volume embarcado, compensado parcialmente pela retração de 8,6% no preço médio dos produtos. A queda das cotações internacionais de commodities, refletida no Índice de Preços de Alimentos da FAO, contribuiu para o recuo nominal.
Balanço comercial do mês ficou assim:
- Superávit do Setor: US$ 9,2 bilhões (-0,4%).
- Participação no Total Exportado pelo Brasil: 42,8%.
- Importações do Agro: US$ 1,7 bilhão (-11,2%).
Destinos e Novos Mercados
A China segue na liderança isolada, mas o mês foi marcado por avanços em novos blocos e países:
Principais Compradores:
- China: US$ 2,1 bilhões (20% do total).
- União Europeia: US$ 1,7 bilhão (11%).
- EUA: US$ 705 milhões (6,6%).
- Destaque Regional: As vendas para a ASEAN (Sudeste Asiático) cresceram 5,7%.
- Maiores Altas Individuais: Iêmen (+336,9%), Filipinas (+90%) e Turquia (+72,1%).
Desempenho por Setores (Top 6)
| Setor | Valor (Jan/26) | Variação vs. Jan/25 |
| Carnes | US$ 2,58 bilhões | +24,0% |
| Complexo Soja | US$ 1,66 bilhão | +49,4% |
| Produtos Florestais | US$ 1,38 bilhão | -8,8% |
| Cereais/Farinhas | US$ 1,12 bilhão | +11,3% |
| Café | US$ 1,10 bilhão | -24,7% |
| Sucroalcooleiro | US$ 0,75 bilhão | -31,8% |
A carne bovina in natura foi o item de maior peso, somando US$ 1,3 bilhão. Os Estados Unidos ampliaram suas compras deste produto em 93%, favorecidos pela retirada de tarifas adicionais que incidiam sobre a carne brasileira.
Novos Portfólios e recordes
Além das commodities tradicionais, produtos de nicho alcançaram marcas históricas de exportação em janeiro:
- Glicerina bruta: US$ 46,9 milhões (+114,9%)
- Óleo de milho: US$ 21,8 milhões (+335,8%)
- Ovos: US$ 14,7 milhões (+9,2%)
- Pargos e Mamão Papaia: Também registraram volumes recordes.
Fatores de influência e abertura de mercados
O desempenho do setor é atribuído a avanços nas questões sanitárias, como o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA e a rápida contenção de focos de influenza aviária.
Desde 2023, o Brasil viabilizou a abertura de 535 novos mercados para o agro, sendo 10 deles apenas no primeiro mês de 2026. A estratégia foca na diversificação de destinos e no apoio a pequenos e médios exportadores através de programas de capacitação e inteligência de mercado.

