A indústria de fertilizantes no Brasil enfrenta um cenário de incerteza crescente com a disparada nos preços do enxofre e do ácido sulfúrico. Durante evento da Argus Media, executivos do setor alertaram que o risco de desabastecimento no campo já é real, com reflexos diretos nos custos de produção e na logística global, segundo reportagem do portal Agfeed.
O agravamento da crise tem raízes geopolíticas e logísticas. O conflito no Oriente Médio desestabilizou rotas comerciais e encareceu drasticamente o transporte marítimo. Segundo dados da Argus, o frete de ácido sulfúrico na rota Europa-Brasil quase dobrou, saltando de uma média de US$ 45 para até US$ 80 por tonelada.
Além da pressão externa, a oferta interna também apresenta limitações. A produção da Petrobras, além de insuficiente para a demanda nacional, tem gerado resíduos (como a “borra de enxofre”) que dificultam o processamento industrial, exigindo adaptações nas fábricas.
Produtor no limite
O impacto mais severo pode ser sentido na produtividade das próximas safras. Felipe Coutas, country manager da multinacional Itafos no Brasil, destaca que muitos produtores já dão sinais de que podem reduzir ou até abandonar o uso de adubos se os preços continuarem insustentáveis.
Para a indústria, o desafio não é apenas o valor final do produto, mas a própria disponibilidade da matéria-prima. Ou seja, a incerteza sobre a chegada dos navios devido à instabilidade em canais de navegação globais agrava o cenário de insegurança para o segundo semestre de 2026.
Como alternativa, o setor estuda migrar a produção para fertilizantes com menor teor de enxofre para tentar mitigar a escassez.

