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Bacia do Xingu terá R$ 5,3 milhões para recuperar 140 hectares em MT

Bacia do Xingu terá R$ 5,3 milhões para recuperar 140 hectares em MTA Bacia do Xingu ocupa cerca de 53 milhões de hectares entre MT e PA. Foto: BNDES/Getty Images

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Resumo:

  • Três projetos foram selecionados para receber R$ 5,3 milhões com o objetivo de recuperar 140 hectares (ha) e fortalecer a cadeia produtiva da restauração na Bacia do Rio Xingu, em Mato Grosso.
  • Funatura, Unilivre e Instituto C3 têm até 48 meses para executar os projetos, financiados pelo Fundo Socioambiental do BNDES, Grupo Energisa, Norte Energia e Fundo Vale, segundo o banco.
  • Com o primeiro edital, de 2023, o Floresta Viva soma sete projetos e R$ 25,6 milhões na bacia, de acordo com o BNDES.
  • No mesmo evento, o BNDES anunciou R$ 180 milhões em crédito do Fundo Clima para uma concessão que prevê restaurar 10.346 ha na APA Triunfo do Xingu, no Pará.

 

Por André Garcia

R$ 5,3 milhões serão destinados à recuperação de 140 hectares de áreas degradadas na Bacia do Rio Xingu, em Mato Grosso. Três projetos foram selecionados para executar as ações, que incluem restauração da vegetação e fortalecimento de atividades como coleta de sementes, produção de mudas, assistência técnica e monitoramento.

Os recursos fazem parte do edital Bacia do Rio Xingu 2, da iniciativa Floresta Viva, cujo resultado foi anunciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nesta terça-feira, 8/9. Foram selecionadas a Fundação Pró-Natureza (Funatura), a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e o Instituto Comunidade, Clima e Carbono (Instituto C3).

Os projetos terão até 48 meses para execução e serão financiados com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de parceiros privados. Pelas regras do edital, pelo menos metade dos recursos de cada proposta deverá ser aplicada diretamente na restauração dos ecossistemas.

Além da recuperação das áreas degradadas, o edital busca fortalecer a cadeia produtiva ligada à restauração ecológica. Isso inclui etapas anteriores e posteriores ao plantio, como coleta de sementes, produção de mudas, assistência técnica e acompanhamento das áreas recuperadas.

A iniciativa também prioriza projetos que envolvam comunidades locais, povos tradicionais e organizações que já atuam nos territórios da Bacia do Xingu.

“A restauração ecológica envolve um conjunto de etapas que vai além do plantio de árvores, incluindo coleta de sementes, produção de mudas, assistência técnica, monitoramento e fortalecimento das organizações locais”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

R$ 25,6 milhões para o Xingu

Este é o segundo edital do Floresta Viva voltado à Bacia do Rio Xingu. Somadas as duas chamadas, sete projetos foram selecionados e R$ 25,6 milhões serão destinados diretamente às ações nos territórios.

O primeiro edital, lançado em 2023, selecionou quatro projetos, que recebem R$ 20,3 milhões e já estão em execução.

A Bacia do Xingu ocupa cerca de 53 milhões de hectares entre Mato Grosso e Pará. O rio nasce no Cerrado, percorre aproximadamente 1,9 mil quilômetros e atravessa a Floresta Amazônica antes de desaguar no Rio Amazonas.

Segundo o BNDES, a região reúne terras indígenas, unidades de conservação e comunidades tradicionais e é considerada estratégica para ações de conservação e restauração.

Como funciona o Floresta Viva

O Floresta Viva financia projetos de restauração ecológica e produtiva com espécies nativas, sistemas agroflorestais e ações de fortalecimento da cadeia da restauração. O programa utiliza um modelo de financiamento no qual recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental do BNDES são combinados com aportes de instituições públicas e privadas.

Até agora, foram lançados 16 editais e selecionados 79 projetos em diferentes regiões do país. A previsão é apoiar até 137 projetos e recuperar mais de 10,7 mil hectares. O BNDES destinou R$ 243,8 milhões à iniciativa e, considerando os recursos dos parceiros, o investimento mobilizado chega a R$ 487,6 milhões.

Restauração pode gerar retorno econômico

Além dos ganhos ambientais, a recuperação de áreas degradadas começa a ganhar espaço como atividade capaz de gerar receitas. Estudo da Universidade de Brasília (UnB), que analisou a restauração do Cerrado em Mato Grosso e outros estados do Centro-Oeste, aponta que a comercialização de créditos de carbono pode ajudar a recuperar o investimento em menos de 12 anos em um cenário favorável.

Esse potencial já tem atraído recursos para Mato Grosso. Como mostrou o Gigante 163, o programa Todos pelo Araguaia anunciou neste ano investimentos internacionais para recuperar mais de 3 mil hectares de áreas degradadas no estado. A estratégia inclui a geração de créditos de carbono como uma das alternativas para financiar a restauração.

Outra frente está nas áreas que têm menor potencial para competir com a produção de grãos. Estudo do projeto Amazônia 2030 identificou 606 mil hectares de vegetação secundária em áreas de baixa aptidão agrícola em Mato Grosso. Segundo o levantamento, essas áreas representam uma oportunidade para ampliar a restauração sem avançar sobre terras mais favoráveis à agricultura.

Saiba mais

O que é restauração ecológica? – Restauração ecológica é o processo de ajudar um ecossistema degradado a recuperar sua estrutura e suas funções com espécies nativas da região. O objetivo não é produzir madeira ou outro produto comercial, e sim recompor a vegetação original e os serviços que ela presta, como proteção do solo, da água e da biodiversidade. O método depende do estado da área. Onde ainda há rebrota e sementes no solo, isola-se a área e conduz-se a regeneração natural, a opção mais barata. Em áreas mais degradadas, usa-se semeadura direta de sementes nativas ou plantio de mudas, a alternativa de maior custo.

 

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