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Café e carne bovina podem ganhar espaço nos países árabes

Café e carne bovina podem ganhar espaço nos países árabesAgro brasileiro respondeu por 75,6% das exportações para a Liga Árabe. Foto:ABPA

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O Brasil pode redirecionar parte das exportações do agronegócio para países árabes, como alternativa ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. A avaliação é da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), que vê oportunidades para ampliar as vendas a esses países.

O levantamento aponta que os embarques para os países árabes já estavam em crescimento e ganhando mais importância para a balança comercial brasileira, mesmo antes do tarifaço. Em 2024, o agronegócio respondeu por 75,6% das exportações do Brasil para a Liga Árabe, somando mais de US$ 17 bilhões – alta de 30% em relação a 2023, quando foram US$ 13,7 bilhões. Em 2019, o valor foi de US$ 8 bilhões.

Segundo a CCAB, o café é um dos produtos com maior potencial para redirecionamento. Embora os Estados Unidos tenham sido o principal comprador – mais de 8 milhões de sacas de 60 kg importadas em 2024 -, a presença do café brasileiro cresce nos países árabes, especialmente na Arábia Saudita, Egito e Argélia, onde entra sem cobrança de tarifa.

“O Brasil já possui uma presença significativa e crescente em todos (os países), indicando um claro potencial para aumentar as exportações e absorver parte do volume que seria destinado aos Estados Unidos”, avalia o documento da CCBA.

Carne bovina

A carne bovina congelada também se destaca. Os EUA são o segundo maior cliente do Brasil, atrás apenas da China. Entre os árabes, Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita figuram entre os dez maiores compradores, com tarifas que variam de zero a 6%, dependendo do destino.

Na análise da Câmara, os Emirados Árabes já representam um mercado consolidado para a carne bovina brasileira, enquanto a Arábia Saudita apresenta crescimento sólido. O Egito, por sua vez, demanda atenção dos exportadores, já que houve queda recente nas importações totais e nas compras do Brasil.

O secretário-geral da CCAB, Mohamad Mourad, reforça que carne bovina congelada e café concentram as maiores chances de crescimento.

“Elencamos as oportunidades de exportação de produtos que os árabes importam de outras partes do mundo e importam menos do Brasil, aproveitando essa diferença (de tarifas de importação). E apareceram, principalmente carne bovina congelada e café”, afirmou.

Outros produtos

O estudo também cita oportunidades para produtos de madeira, como portas e compensados, nos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Marrocos, embora ainda haja baixa participação brasileira. Nesse segmento, as tarifas variam de zero a 30%, conforme o produto.

Outro produto nacional que pode alcançar os mercados árabes é o mel, desde que seja adaptado ao padrão local, ou seja, nesses países, a demanda é por produto já envasado, enquanto as exportações aos EUA são feitas a granel.

Para aproveitar o cenário, a CCAB defende ações conjuntas entre governo e setor privado, incluindo a adequação a exigências como a certificação halal. Na última semana, a entidade apresentou o estudo aos Ministérios da Agricultura (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) e propôs criar um grupo de trabalho com adidos agrícolas nas embaixadas dos países árabes para identificar oportunidades.

Entre as importações brasileiras vindas da região, os fertilizantes ocupam a segunda posição, atrás apenas dos combustíveis, com destaque para ureia e fosfato monoamônico (MAP).

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