Os títulos de financiamento privado do agronegócio registraram um desempenho sólido em fevereiro de 2026. O grande destaque foi a Cédula de Produto Rural (CPR), que alcançou um estoque de R$ 561 bilhões nas registradoras — uma alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. No total, são 402 mil cédulas ativas no mercado.
A CPR é, essencialmente, uma promessa de entrega de produtos agropecuários. É o principal instrumento que o produtor rural (ou sua cooperativa) utiliza para captar recursos sem depender exclusivamente do Plano Safra ou de bancos tradicionais.
Funciona assim, p produtor emite o título “prometendo” uma quantidade de sua produção futura (soja, milho, gado, etc.) em troca de dinheiro à vista ou insumos (fertilizantes, sementes) para plantar sua safra.
Existem a CPR Física (onde o pagamento é feito com o produto colhido) e a CPR Financeira (onde o título é liquidado em dinheiro, com base no valor de mercado do produto na data do vencimento).
Para o investidor ou a empresa de insumos, a CPR é um título de crédito que dá garantias sobre a produção.
Na safra atual (julho/25 a fevereiro/26), as emissões de novas CPRs somaram R$ 248 bilhões, valor 8% inferior ao ciclo anterior, embora o estoque total acumulado continue em ascensão.
Desempenho de outros títulos e fundos
O boletim mensal do setor agropecuário detalha ainda o comportamento de outras ferramentas de captação:
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): O estoque atingiu R$ 588 bilhões (+9%). Por regra, as instituições que emitem esses títulos devem reaplicar no mínimo 60% do valor no financiamento rural. Em fevereiro, esse montante disponível para o campo chegou a R$ 352 bilhões, um salto de 31% em um ano.
- CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio): Segue em ritmo acelerado, com crescimento de 15% em doze meses, totalizando R$ 176 bilhões.
- Fiagro (Fundos de Investimento): O setor de fundos disparou em quantidade. São 220 fundos em operação (alta de 60% sobre o ano passado), com patrimônio líquido de R$ 48 bilhões, um crescimento de 10%.
- CDCA (Certificado de Direitos Creditórios): Apresentou retração de 8%, fechando em R$ 32 bilhões. Segundo o boletim, o recuo é um ajuste natural após um crescimento atípico registrado em meados de 2024.

