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CNA alerta: alta de fertilizantes e diesel aperta margens no campo

CNA alerta: alta de fertilizantes e diesel aperta margens no campoGuerra pressiona pressão custos e logística do agro brasileiro. Foto: CNA

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A pressão sobre os custos e a logística do agronegócio brasileiro, após uma semana do conflito no Oriente Médio, é preocupante. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o impacto mais imediato é sentido no preço do óleo diesel, essencial para a colheita da soja e do arroz, além do plantio da segunda safra de milho. Em algumas regiões, produtores relatam altas superiores a R$ 1 por litro e até episódios de desabastecimento.

“O diesel é o ponto mais crítico agora porque impacta diretamente no custo operacional em um momento de pico de máquinas no campo”, explica Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, ao Agro Estadão. O cenário é agravado pela queda nos preços das commodities em relação ao ano passado, o que reduz drasticamente a rentabilidade do agricultor.

Para tentar frear a alta nas bombas, a CNA sugeriu ao governo antecipar o aumento da mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 17%. A estratégia, já utilizada no início do conflito entre Rússia e Ucrânia, visa baratear o combustível final.

“Com a saca de soja em torno de R$ 100 em algumas praças, o preço está em patamares pré-pandemia. Um incremento na mistura ajudaria a aliviar o custo para o usuário”, defende Lucchi.

“Risco elevadíssimo”

No mercado de insumos, a preocupação recai sobre os nitrogenados. O Brasil importa cerca de 18% de sua ureia de países como Irã e Omã. Desde o início dos conflitos, o preço do fertilizante saltou 33%.

Embora boa parte da segunda safra já esteja coberta, a incerteza trava as compras antecipadas para o ciclo 2026/2027, com produtores preferindo esperar uma possível acomodação dos preços antes de fechar novos negócios.

O Ministério da Agricultura (Mapa), em nota técnica interna obtida pela Folha de S.Paulo, identifica um cenário de “elevadíssimo risco” para o setor de fertilizantes, provocado pela guerra no Irã e por restrições de exportação impostas pela China até meados de 2026 para garantir seu abastecimento interno.

A nota técnica projeta um déficit real de volume entre 1 e 3 milhões de toneladas de fosfatados este ano.

O documento adverte para a ameaça real de desabastecimento e disparada de preços já para a safra que começa a ser plantada no segundo semestre de 2026.

Logística e exportações

O setor também monitora o comércio de milho e o encarecimento dos fretes. O Irã é destino de 23% das exportações brasileiras de milho (9 milhões de toneladas no último ano). Como o fluxo maior de embarques ocorre a partir de agosto, o impacto real dependerá da duração do conflito.

No entanto, a logística internacional já sente o peso da guerra. O custo dos seguros marítimos dobrou, saltando de 0,25% para 0,5% do valor da carga — atingindo até 1% em casos extremos.

“As empresas, como as de frango, estão buscando rotas alternativas, mas isso encarece o transporte. Além do seguro, há multas por atraso de navios atracados em portos pelo mundo, o que eleva substancialmente o custo final”, enfatiza o diretor da CNA.

Na nota, o Mapa sugere que o governo federal se prepara para ativar mecanismos emergenciais de financiamento agrícola para socorrer os produtores das culturas mais expostos.

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