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Com novas regras e tecnologias, agro deve liderar a transição energética

Com novas regras e tecnologias, agro deve liderar a transição energéticaAvanço se deve à abertura gradual do mercado livre de energia. Foto: BRF/ Divulgação

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Por André Garcia

Depois de avanços registrados em 2025, como o armazenamento de energia, a ampliação do mercado livre e ajustes regulatórios, o setor elétrico entra em uma nova fase no Brasil. E o agronegócio está no centro dessa mudança, com espaço para reduzir custos, ganhar previsibilidade e ampliar a autonomia energética a partir de 2026.

A avaliação é da advogada especialista em Direito de Energia Marina Meyer Falcão, que, em artigo recente, aponta uma transição para um modelo mais inteligente, baseado no uso de armazenamento, na digitalização das redes e na gestão ativa do consumo.

“As redes inteligentes, conhecidas como smart grids, devem avançar para o interior do País, permitindo medição inteligente, tarifas que variam conforme o horário, identificação automática de falhas e a integração entre armazenamento, geração distribuída e irrigação elétrica”, explica.

Na prática, isso permite ao produtor rural acompanhar o consumo em tempo real, ajustar o uso de energia e ganhar eficiência operacional. Para o setor elétrico, o avanço dessas soluções também abre espaço para novos investimentos e geração de empregos.

Mercado livre começa a alcançar o campo

A abertura gradual do mercado livre de energia, prevista para se ampliar a partir de 2027, deve permitir que consumidores rurais, inclusive de baixa tensão, passem a negociar contratos mais adequados à realidade da produção agrícola, com preços mais previsíveis e maior flexibilidade no uso da energia.

“O produtor rural passará a ser gestor ativo da própria energia. O agronegócio é o setor com maior velocidade de adoção de tecnologias energéticas no Brasil em 2026. A seguir, as principais tendências, tecnologias que irão ser destaque”, explica Marina.

Sistemas híbridos ganham espaço nas fazendas

Neste cenário, fazendas de médio e grande porte começam a adotar sistemas híbridos como novo padrão energético. A geração solar cobre o consumo durante o dia, as baterias garantem energia à noite e em momentos críticos, como irrigação e refrigeração, enquanto geradores a diesel passam a atuar apenas como apoio.

“O modelo pode reduzir os custos de energia em até 40% e ampliar de forma significativa a autonomia operacional das propriedades.”

Automação e eletrificação da produção rural

Outro ponto importante é a possibilidade de automação. Motores elétricos integrados à geração distribuída, às baterias e à automação permitem irrigar nos horários de menor custo, monitorar os sistemas à distância, reduzir perdas de água e aumentar a resiliência da produção a eventos climáticos.

“A integração entre energia, tecnologia e produção agrícola será um dos pilares da economia brasileira nos próximos anos — e 2026 é o ponto de partida dessa nova fase.”

Hidrogênio verde e novas regras no horizonte

Presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB /MG e professora da PUC em pós graduação de Energia Solar, ela destaca ainda que, em regiões com forte presença de energia eólica e solar, começam a surgir iniciativas ligadas ao uso do hidrogênio verde, tanto no transporte de longa distância quanto na produção de insumos.

Esse movimento ocorre em paralelo a mudanças no marco regulatório do setor elétrico. A partir de 2026, a expectativa é de regras mais claras para o armazenamento, incluindo a remuneração da energia armazenada, a prestação de serviços ao sistema elétrico, o tratamento tributário específico e formas de participação no mercado livre.

“Novas regras para geração distribuída e comunidades de energia serão destaque para o ano de 2026. Sendo elas, comunidades rurais de energia, microgrids compartilhadas para pequenos agricultores e incentivos estaduais para projetos solar integrado ao BESS”, conclui a especialista.

 

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