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Guerra encarece fertilizante e reduz entregas

Guerra encarece fertilizante e reduz entregasSetor projeta redução entre 5 e 10 milhões de toneladas nas entregas. Foto: Aprosoja

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Resumo

  • Conflito no Oriente Médio e gargalos logísticos deixaram os fertilizantes mais caros e lentos para chegar ao produtor brasileiro.
  • O setor projeta redução entre 5 e 10 milhões de toneladas nas entregas em 2026 comparado ao recorde de 49 milhões de toneladas em 2025.
  • A aquisição de insumos para a próxima safra de soja atingiu 80%  e a do milho de segunda safra está em 30% (ante 35%).
  • A alta do enxofre (de US$ 435 para US$ 1.152 a tonelada) encareceu fosfatados e nitrogenados, levando empresas como a Mosaic a reduzir operações temporariamente.
  • O atraso nas importações e o risco em rotas do Oriente Médio (como o Estreito de Bab el-Mandeb) exigem que o Brasil acelere as compras para evitar desabastecimento.

O fertilizante está mais caro e chegando mais devagar às mãos do produtor brasileiro. Passados cinco meses do início do conflito no Oriente Médio, a indústria do setor já projeta uma queda de pelo menos 10% no volume de entregas para a safra 2026/27 — resultado que combina a instabilidade logística provocada pela guerra com um cenário interno de endividamento no campo, crédito mais caro e rentabilidade menor das principais culturas.

Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes no Brasil e no Paraguai, em entrevista ao Valor, a comercialização ganhou fôlego nas últimas três semanas, impulsionada por uma reação nos preços da soja — período em que cerca de 3 milhões de toneladas do insumo foram comercializadas no mercado brasileiro.

“As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo dentro desse contexto, mas não tiram toda a complexidade que temos ao navegar nesse cenário, que é desafiador”, afirma.

No ano passado, o volume de fertilizantes entregues no País chegou a 49 milhões de toneladas, recorde histórico. Para 2026, consultorias e empresas do setor calculam uma redução entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas, puxada principalmente pelos volumes de nitrogênio e fósforo. Monteiro se mostra menos pessimista que o mercado: “Ficaremos talvez no meio do caminho, ou na menor faixa, de 5 milhões”, prevê.

Para a próxima safra de soja, que começa a ser plantada em setembro em algumas regiões do País, as principais empresas do segmento estimam que cerca de 80% das aquisições já foram efetuadas — cinco pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior. Para o milho de segunda safra, as compras estão em 30%, ante 35% há um ano.

Preços dispararam

Os preços de fosfatados e nitrogenados oscilam desde o início da guerra, puxados pela disparada do enxofre — insumo-chave na produção de fertilizantes e também disputado pela indústria de baterias. Segundo a StoneX, a tonelada do enxofre foi de US$ 435 para US$ 1.152 neste ano; o MAP, de US$ 635 para US$ 890; e a ureia, de US$ 404 para US$ 461. A alta do enxofre levou a Mosaic a anunciar, em 8 de julho, uma nova redução temporária de operações no Brasil, sem prazo definido para retomada.

A guerra também preocupa pela logística: o intervalo entre a importação da matéria-prima e o processamento no Brasil é de cerca de três meses.

Segundo Guilherme Schmitz, vice-presidente de marketing e agronomia da Yara Brasil, metade da matéria-prima usada pela empresa no País vem do seu próprio sistema global de produção; a outra metade é importada de países como China, Marrocos, Egito, Catar, Arábia Saudita, Canadá e Estados Unidos. Mesmo assim, afirma, a Yara não reduziu a produção no Brasil.

StoneX alerta que as importações estão atrasadas.

“O Brasil precisa acelerar suas compras nos próximos meses, em meio ao ressurgimento das tensões no Oriente Médio”, diz Tomás Pernías, analista da consultoria.

Ela cita a possibilidade de fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen, como ponto de atenção — já que a Arábia Saudita é grande exportadora de fertilizantes.