Por André Garcia
Mesmo sem aparecer no texto final da COP30, o Pantanal saiu fortalecido das negociações em Belém. A conferência abriu novas frentes para o bioma, com avanços em manejo do fogo, restauração ecológica, mercado de carbono e pecuária sustentável, criando oportunidades para produtores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Para o biólogo Gustavo Figueiroa, diretor do Instituto SOS Pantanal, a conferência falhou em pontos centrais, especialmente na discussão sobre combustíveis fósseis, entregando um acordo insuficiente diante da crise climática. Ainda assim, foi a primeira vez que o Pantanal conseguiu evidenciar seu potencial para liderar ações globais de resiliência.
“O caminho é longo e os resultados não são imediatos. Porém, essa foi a maior participação do Pantanal em um evento de nível global como a COP. Vamos continuar trabalhando para que as áreas úmidas tenham cada vez mais destaque internacional, buscando proteção e investimentos para um desenvolvimento sustentável”, avaliou.
Manejo do fogo
O manejo do fogo na COP 30 tornou-se um compromisso coletivo assinado por 50 países e três organizações internacionais. O objetivo é fortalecer a resiliência a incêndios, o uso sustentável do fogo controlado, o combate a queimadas ilegais e a integração do conhecimento tradicional indígena com a preservação ambiental.
“Essa foi a primeira vez, na história das COPs que o tema manejo do fogo foi tratado com tanta seriedade. Mais de 70 países apoiaram um acordo global pelo manejo do fogo, um tema que é muito importante para o Pantanal”, pontua Figueiroa.
Caminho para a Turquia
Instituições, que atuam no Pantanal, entregaram carta em defesa das áreas úmidas à ministra do Meio Ambiente, na qual solicitam que as áreas úmidas, como o Pantanal, se tornem protagonistas nas ações de sustentabilidade climática global (conta com apoio de mais de 150 entidades nacionais e globais).
“As entregas foram o ponto de início, que deve continuar ao longo do próximo ano para que esta demanda entre nos textos oficiais das Nações Unidas já na próxima edição da COP, que acontecerá na Turquia em 2026”, disse Figueiroa ao destacar a urgência de que a prioridade do bioma seja reconhecida.
Edital Pantanal
Outra conquista foi, com o Instituto AEGEA, a nova chamada pública no âmbito da Iniciativa Floresta Viva: Edital “Pantanal”, que vai apoiar projetos de restauração ecológica e revitalização dos recursos hídricos da Bacia do Alto Paraguai, localizadas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Serão disponibilizados até R$ 5,9 milhões, por meio de matchfunding.
“O Pantanal enfrenta graves ameaças ambientais como secas, desmatamento e incêndios. A restauração ecológica é fundamental para a recuperação da resiliência hídrica, contribuindo com benefícios ecológicos e sociais para a região”, explicou Manoel Serrão, Superintendente de Programas do FUNBIO.
Novos mercados
De olho no mercado de carbono, a Embrapa lançou o Atlas do Estoque de Carbono em Formações Vegetais da Bacia do Alto Paraguai – Mato Grosso (Carbopan). O aumento do estoque de carbono é estratégico, pois mantém o carbono fixado na vegetação e no solo, reduzindo as emissões e abrindo oportunidades no mercado de carbono.
“A conservação do Pantanal promove resiliência ecológica, segurança hídrica e fortalecimento da economia local, sem abrir mão da proteção da biodiversidade”, disse o coordenador da pesquisa, professor Fábio Ayres (UEMS).
Pecuária sustentável
Mais de R$ 20 milhões serão investidos na Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS), plataforma que monitora indicadores ambientais e produtivos nas propriedades do bioma. Furto de parceria entre Embrapa e diversas instituições, como Famato, Senar MT e Imea, o programa tem como meta os 2 milhões de hectares até 2030.
“Com a FPS é possível gerar renda, conservar e planejar um futuro seguro para a região. Prova disso é que, em cinco anos de projeto-piloto, a idade do primeiro parto das vacas caiu de 34 para 28 meses e a taxa de prenhez subiu de 41% para 70,9%”, afirmou Vilmondes Tomain, presidente do Sistema Famato.
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