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Novo plano quer reduzir importação de fertilizantes no País

Novo plano quer reduzir importação de fertilizantes no País

Governo extingue órgão meteorológico em plena crise hídrica
Classe média rural será foco de políticas públicas para a agricultura
Parceria com a China leva tecnologia para além das grandes fazendas

Resumo

  • O Ministério de Minas e Energia (MME) elaborou o Plano Nacional de Mineração (PNM) 2050, que vai ditar as regras e diretrizes do setor pelos próximos 25 anos.
  • O principal objetivo é reduzir a dependência histórica do Brasil na importação de fósforo e potássio (base dos fertilizantes) dos atuais 87,3% para 34,9% até 2050.
  • O governo quer abocanhar 12,2% do mercado global de minerais críticos (como lítio, níquel e terras raras). A ideia é parar de exportar minério bruto e passar a processar esses materiais dentro do Brasil.
  • O plano projeta elevar a participação da mineração no PIB brasileiro de 3,3% para 4,5%.
  • Para o plano dar certo, o Brasil precisa dobrar seu mapeamento geológico (hoje só 28% do país é mapeado adequadamente) e cortar pela metade o tempo de espera por licenças de lavra, que hoje demoram mais de 4 anos (1.563 dias).

Herança maldita: O diagnóstico apontou que existem quase 4 mil minas abandonadas no país (11% do total). O governo quer criar regras duras para o fechamento de minas, exigindo garantias financeiras de recuperação ambiental.

O Brasil pretende reduzir drasticamente sua dependência externa de fósforo e potássio — insumos essenciais para fertilizantes — dos atuais 87,3% para 34,9% até 2050. A meta ousada é o principal pilar do novo Plano Nacional de Mineração (PNM) 2050, documento elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso.

Apresentado formalmente nesta quinta-feira, 2, o plano traça as diretrizes para as próximas duas décadas e meia, vinculando o setor mineral diretamente à segurança alimentar, transição energética e soberania nacional.

A mudança não é apenas estatística, mas também política: a coordenação dos minerais críticos e estratégicos foi transferida diretamente para a Casa Civil, sob o comando do Palácio do Planalto.

O movimento tira o tema do nicho setorial e o eleva ao status de estratégia de Estado, espelhando políticas já adotadas por potências como China, Estados Unidos e União Europeia.

Transição energética

Para alcançar a meta nos fertilizantes, o governo promete integrar a política mineral ao Plano Nacional de Fertilizantes, estimulando pesquisas de solo e acelerando novos projetos. Hoje, o país importa quase 9 de cada 10 toneladas desses insumos utilizados na agricultura.

No setor de tecnologia e transição verde, o plano mira o mercado de lítio, níquel, terras raras, cobre, grafita e cobalto — essenciais para a fabricação de baterias e veículos elétricos.

O objetivo é elevar a fatia brasileira no mercado global de minerais críticos de 8,3% para 12,2%, com um detalhe importante: o foco é industrializar esses minérios dentro do país, aumentando a participação da transformação mineral no PIB do setor de 51,5% para 65%. No total, projeta-se que o peso da mineração na economia salte de 3,3% para 4,5% do PIB.

Grandes desafios

Se as metas são ambiciosas, os desafios listados no próprio documento mostram o tamanho do desafio. O primeiro grande entrave é a falta de conhecimento do próprio território: apenas 28% do Brasil possui mapeamento geológico em escala adequada.

Para mudar isso, o plano prevê quase dobrar os investimentos em pesquisa, saltando de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões anuais, visando atingir 52% de área mapeada.

Outro vilão é o relógio. Conseguir uma autorização de lavra no Brasil leva, em média, impressionantes 1.563 dias (mais de quatro anos). A meta do PNM é cortar essa lentidão pela metade, fixando o prazo em 780 dias.

Além disso, o governo se deparou com um passivo ambiental alarmante: o País possui 3.943 minas com indícios de abandono — cerca de 11% de todas as concessões feitas no País —, deixadas sem nenhum plano de recuperação social ou ambiental.

Para frear o problema, o plano propõe uma regulamentação inédita para o fechamento de minas, obrigando as empresas a depositarem garantias financeiras antecipadas que arquem com a recuperação das áreas degradadas.

Como chegar lá

Apesar do diagnóstico cirúrgico e das metas bem desenhadas, o PNM 2050 deixa uma pergunta em aberto: como chegar lá?

O documento funciona como um norteador estratégico, mas os investimentos necessários, as medidas práticas e os responsáveis reais pelas ações só serão conhecidos nos próximos meses, quando o governo promete lançar o Plano de Metas e Ações (PMA).