Por André Garcia
Porta de entrada do Pantanal mato-grossense, o município de Cáceres quer dar visibilidade ao bioma e abrir caminhos para a preservação e desenvolvimento sustentável. Para isso, o município articula a Carta do Pantanal, que será encaminhada à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – COP30, em Belém (PA).
Em paralelo à Conferência, que acontece entre 10 e 21 de novembro, Cáceres também vai realizar um evento próprio: a COP Pantanal. O evento está marcado para 10, 11 e 12 de novembro e é idealizado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e a Prefeitura.
O objetivo é envolver ribeirinhos, pescadores, pecuaristas, indígenas, quilombolas, comerciantes, representantes de movimentos sociais e da sociedade civil organizada para debater desafios e oportunidades relacionados à preservação e ao desenvolvimento da região pantaneira.
“A COP30 será o olhar do mundo sobre a Amazônia, mas o Pantanal também precisa ser ouvido. A Carta será fruto da escuta e da participação de diferentes segmentos da sociedade, apresentando não apenas os problemas enfrentados, mas também propostas e soluções construídas”, explica o professor Hernandes Sobreira, da Unemat.
Pantanal sob pressão
Recentemente, durante o evento Diálogos pelo Clima – bioma Pantanal, realizado pela Embrapa como preparatório para a COP30, especialistas reforçam que o bioma já sente os impactos das mudanças climáticas, com secas prolongadas, incêndios mais intensos e ameaças à biodiversidade e às comunidades locais.
Do lado mato-grossense, as preocupações circulam os empreendimentos hidrelétricos, que alteram o ciclo do bioma. Cerca de 70% da água do Pantanal sai do Estado de Mato Grosso e o uso de dragas para melhorar a navegação tende a aumentar, no contexto de mudanças climáticas, devido a diminuição do nível e frequência das chuvas.
Caminho para o futuro
Experiências com o controle de desmatamento, a evolução das fazendas pantaneiras e as ações envolvendo populações tradicionais e ribeirinhas já mostram caminhos possíveis para o futuro do Pantanal.
O projeto Fazenda Pantaneira Sustentável, por exemplo, contabiliza meio milhão de hectares de pecuária produtiva e sustentável, na região de Cáceres, Poconé, Rondonópolis, Itiquira e Barão de Melgaço. Experiências como essa indicam alternativas que podem ganhar novo impulso com a COP 30 e com a construção da Carta do Pantanal.
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