Resumo
- O El Niño beneficia a safra dos Estados Unidos, mas representa risco para o Centro-Oeste brasileiro
- A preocupação maior é com a distribuição irregular de chuvas entre setembro e outubro, justamente no início do plantio
- O Mato Grosso é a principal referência global de soja — qualquer oscilação climática aqui impacta as cotações mundiais
- Análise da Biond Agro aponta risco de queda produtiva no estado em anos de El Niño forte
Enquanto o plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos ganha ritmo em condições climáticas favoráveis, o mercado global já começa a calcular o outro lado da equação: o que o El Niño reserva para o Mato Grosso e o Centro-Oeste brasileiro.
A análise é da Biond Agro, consultoria especializada em mercado agrícola. Segundo os dados da empresa, em anos de El Niño forte, os norte-americanos chegam a registrar ganhos expressivos de produtividade. Para o Brasil — e especialmente para o maior estado produtor de soja do País —, o histórico aponta um cenário bem diferente.
O risco para o produtor de MT
Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, explica que o problema não é a falta de chuva em si, mas a sua distribuição.
“Nossa preocupação principal para o Mato Grosso, Matopiba e parte do Centro-Oeste é a distribuição irregular das chuvas. O El Niño pode trazer um regime de calor intenso e veranicos justamente no início da nossa safra, entre setembro e outubro”, detalha a analista.
Esse período é crítico: é quando as lavouras de soja são estabelecidas e qualquer estresse hídrico pode comprometer a produtividade da safra inteira.
A importância do Mato Grosso
O Mato Grosso não é apenas o maior produtor de soja do Brasil — é a principal vitrine do país para o mercado global. Qualquer oscilação climática no estado reverbera imediatamente nas cotações internacionais.
Segundo Isabella, isso transforma o risco climático mato-grossense em um gatilho de mercado.
“Se o Mato Grosso for afetado por atrasos no plantio ou irregularidade hídrica, isso se torna um fator altista para as cotações. O mercado tende a colocar um ‘prêmio climático’ sobre a nossa safra, exatamente por sermos a grande janela do Brasil para o mundo”, afirma.
O cenário, portanto, é de dupla atenção: enquanto um El Niño forte pode inflar a oferta norte-americana e pressionar os preços na Bolsa de Chicago, o mesmo fenômeno pode reduzir a produtividade brasileira — criando um ambiente de maior volatilidade para o mercado de commodities agrícolas no segundo semestre de 2026.
Fonte: Cenário MT / Biond Agro

