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Ritmo de compra de insumos em MT é o mais lento da história

Ritmo de compra de insumos em MT é o mais lento da históriaO maior atraso diz respeito aos defensivos. Foto: Wenderson Araujo/CNA

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Com a margem de lucro apertada, em decorrência dos problemas enfrentados pela soja na última safra, o produtor mato-grossense tenta pressionar as revendas de insumos para conseguir preços menores. Não à toa, o ritmo de compra de insumos para o ciclo 2024/2025 tem o menor avanço da história.

De acordo com o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o engenheiro agrônomo Cleiton Gauer, até o fim de abril, 46% dos defensivos, sementes e fertilizantes foram comprados, enquanto na mesma época do ano passado o índice era de 56.3%.

“O produtor busca opções para fazer a substituição de alguns formulados ou segura para tomar a decisão mais para a frente. Ele consegue decidir até junho e julho, e a partir dali começa a pressionar por conta da logística de entrega”, disse em entrevista publicada pelo AgFeed nesta quinta-feira, 23/5.

Considerando este intervalo, o maior atraso diz respeito aos defensivos, que têm mais espaço para negociação. Para Gauer, embora exista a possibilidade de que a jogada dê certo, é preciso ter cautela.

“Se der errado, pode haver um repique de preços ou uma dificuldade na logística para que o produto seja entregue a tempo na fazenda. Esse seria o pior cenário, em função da necessidade, do volume significativo para atender o estado inteiro. O produtor precisa ficar atento”, avaliou.

Diante disso, se o produtor fizer um processo mais comedido, ainda haverá uma margem que os resultados desta safra não sejam como os de 2015/2016, considerados os piores da história. À época, “lajida” (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 421,71 por hectare. Agora, em abril, a margem está em R$ 471,21.

“Mas o cenário inicial para a próxima safra é muito pior, com chance de ficar inferior a R$ 100 por hectare, já que o custo inicial está mantido e a receita está caindo. É uma projeção que considera o custo e o preço atual, à medida que a comercialização ainda está ocorrendo. É por isso que o produtor não está comprando os insumos”, conclui.

O superintendente destacou que, desde o início do monitoramento, este é o menor avanço percentual na comercialização de insumos no estado. Com exceção da safra 2023/2024, nas duas anteriores, houve adiantamento, com o produtor aproveitando os melhores preços e trocas para fazer a comercialização.

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