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Sob risco climático, agro entra em 2026 mais técnico e seletivo

Sob risco climático, agro entra em 2026 mais técnico e seletivoO clima permanece como principal fator de risco. Foto: Embrapa

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Depois de anos de crescimento puxado pela expansão de área, preços elevados e demanda externa aquecida, o agronegócio passa a conviver com margens mais apertadas, custos pressionados, juros elevados e risco climático constante. Ao mesmo tempo, tecnologia, bioenergia, sustentabilidade e rearranjos no comércio internacional abrem novas frentes para o setor.

A análise é do professor na Harven Agribusiness School, Vinícius Cambaúva, que, em artigo publicado pelo Globo Rural, apontou  tendências que devem orientar decisões estratégicas de produtores e organizações do setor ao longo do ano. Confira:

Margem antes da expansão

Com aumento expressivo no custo de fertilizantes e desaceleração do PIB do agro, a prioridade deixa de ser crescer em área e passa a ser proteger margem por hectare. Gestão rigorosa de custos, uso eficiente de insumos e revisão de investimentos ganham centralidade em 2026.

Eleições e previsibilidade econômica

A disputa presidencial de 2026 pode afetar crédito rural, seguro agrícola e políticas de infraestrutura. A recomendação é cautela financeira e foco em eficiência para reduzir exposição a eventuais mudanças de política econômica.

“Nos mercados internacionais, precisamos torcer por uma diplomacia comercial técnica para atravessar o ruído eleitoral com resiliência, afinal, o maior fornecedor global de alimentos precisa manter seus mercados para equilibrar a economia e manter o crescimento esperado”, avalia Vinícius.

Clima e seguro rural no centro da estratégia

O clima permanece como principal fator de risco. A Conab projeta crescimento da produção de grãos, mas é necessário acompanhar de perto os resultados “reais” versus os “estimados”, especialmente para culturas de segunda safra (como o milho, o sorgo e o algodão) e as culturas de inverno, que podem ser mais afetadas.

“Investimentos em irrigação, manejo de solo e diversificação produtiva ganham relevância. Paralelamente, o mercado de seguros agrícolas privados tende a amadurecer, tornando-se ferramenta essencial de gestão de risco e proteção financeira”, diz.

Cooperativas e compras coletivas

Com crédito mais caro e insumos voláteis, o cooperativismo amplia poder de barganha e reduz riscos de abastecimento. O avanço da verticalização, com processamento e bioenergia, também permite capturar mais valor dentro da porteira.

Bioenergia como nova fronteira

etanol de milho segue em expansão, com projeção de aumento entre 1,5 e 2 bilhões de litros na safra 2026/27. O biometano também avança, impulsionado por metas de redução de emissões no setor de gás natural, com produção prevista para triplicar até 2027.

“Para o produtor rural, isso significa novas demandas estruturais por milho, sorgo, trigo, cana, soja e resíduos agroindustriais. É a busca de mais renda e margem por meio da economia circular e diversificação da produção.”

Sustentabilidade como fonte de receita

Após a COP30, cresce a pressão para transformar compromissos ambientais em prática. Sistemas como plantio direto, ILPF e recuperação de pastagens podem gerar receitas via créditos de carbono e facilitar acesso a mercados mais exigentes.

Integração de sistemas produtivos

Modelos integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, ganham espaço por aumentar produtividade por área, recuperar solos e reduzir risco produtivo, especialmente em cenários de margem comprimida.

Digitalização e inteligência artificial

Com a conectividade rural avançando, o diferencial passa a ser o uso estratégico dos dados. A inteligência artificial tende a sair do campo analítico e avançar para aplicações mais operacionais, automatizando decisões e gestão.

“A partir de 2026, ganha espaço a IA agêntica, com sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma, como monitoramento climático, ajustes de manejo, compras de insumos e gestão financeira. Em um ambiente de margens comprimidas, medir, registrar e interpretar dados deixa de ser diferencial e se torna requisito operacional”.

Rastreabilidade como vantagem competitiva

Além de atender exigências ambientais e sanitárias, a rastreabilidade torna-se vantagem competitiva, especialmente frente a regulações como o EUDR europeu, agora com o acordo Mercosul/União Europeia.

“A conectividade e digitalização citadas no item anterior fortalecem o uso dessas tecnologias para integração de dados e rastreabilidades dos sistemas produtivos, até como oportunidade para adição de margens e resultados, ajudando, mais uma vez, a equilibrar as contas no campo”, conclui.

 

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