Pesquisadores da Embrapa Soja e representantes das cooperativas Integrada e Coamo alertaram para a disseminação acelerada do caruru-roxo (Amaranthus spp.) durante a ExpoLondrina, na semana passada. A espécie, conhecida pela agressividade e alto poder de dispersão, já registra crescimento consistente nas últimas quatro safras, ameaçando diretamente a rentabilidade do produtor.
Segundo Rafael Romero Mendes, pesquisador da Embrapa Soja, a biologia da planta é o que a torna perigosa: ela cresce rápido, produz milhões de sementes e compete agressivamente por nutrientes.
“O combate exige Manejo Integrado (MIPD). Não se trata apenas de aplicar veneno, mas de adotar um sistema contínuo”, explica.
Para Lucas Pastre Dill, da cooperativa Integrada, o avanço do caruru-roxo é reflexo do abandono de práticas tradicionais. A dependência excessiva do glifosato fez com que muitos produtores deixassem de lado a rotação de culturas e a alternância de princípios ativos. Em solos tropicais, essa falha abre caminho para invasoras resistentes.
Como solução, os especialistas destacam o papel da palhada no solo. Ela funciona como uma barreira física que suprime a germinação precoce das daninhas, reduzindo a necessidade de intervenções químicas pesadas.
Cargas rejeitadas
Além dos desafios agronômicos, outro tema que ganha destaque são os casos de cargas de soja brasileira rejeitadas por compradores internacionais, como a China, devido à presença de sementes de plantas daninhas, incluindo o caruru.
“Mesmo dentro de níveis considerados aceitáveis, algumas cargas foram recusadas, evidenciando o rigor comercial e o poder de decisão dos importadores”, diz Mendes.
Esse cenário reacendeu o debate sobre a importância do manejo eficiente de plantas daninhas ao longo de todo o ciclo da cultura.
“Não há soluções isoladas, mas o controle deve ser bem executado desde o início, evitando que plantas invasoras completem seu ciclo e produzam sementes que possam contaminar a colheita”, orienta.
Estratégias de controle e precauções
Para conter a infestação, o painel técnico recomendou quatro pilares essenciais:
- Higiene de máquinas: Evitar que colhedoras e tratores transportem sementes de áreas infestadas para áreas limpas.
- Uso de pré-emergentes: Essencial para solos com histórico de resistência, mas exige precisão para evitar a fitotoxicidade (danos à cultura principal).
- Biotecnologia e Rotação: Alternar sementes e mecanismos de ação química.
- Monitoramento constante: O clima pode estender a emergência das daninhas, exigindo vigilância do plantio à colheita.
O pesquisador Dionísio Gazziero reforça que o Brasil possui tecnologia para controlar o problema, mas a baixa adesão às normas técnicas é a principal barreira. Bruno Lopes Paes, da Coamo, destaca que o foco deve estar especialmente nas plantas quarentenárias, que trazem riscos graves.

