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Sob seca, gergelim desafia domínio do milho em MT

Sob seca, gergelim desafia domínio do milho em MTProdução da oleaginosa cresce 17,3%. Foto: Sérgio Cobel da Silva/Embrapa

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Em um cenário de mudanças climáticas onde a irregularidade das chuvas desafia o calendário agrícola tradicional, o gergelim surge como o grande aliado do produtor em Mato Grosso. A cultura, conhecida por sua rusticidade, vem ocupando o espaço de áreas antes destinadas ao milho, especialmente em regiões onde a estiagem costuma chegar mais cedo.

Além de garantir produtividade com menos água, a oleaginosa surfa na onda da alta demanda externa, com a produção estadual saltando para 288,9 mil toneladas no último ciclo.

A substituição do milho pelo gergelim não é apenas uma escolha comercial, mas uma estratégia de adaptação. Em regiões como o Araguaia, o risco de perda total no milho devido à falta de chuvas no final da safra tem empurrado agricultores para culturas mais resilientes.

Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, o planejamento é a chave para enfrentar o clima. “

Em regiões com menor índice de chuvas, o gergelim passa a ser uma alternativa importante ao milho, especialmente quando bem planejado dentro do calendário agrícola”, explicou o secretário.

Números e projeções

O crescimento é robusto: uma alta de 17,3% na produção entre as safras 2023/24 e 2024/25. Para o ciclo 2025/2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a área cultivada alcance os 400 mil hectares.

O ciclo do gergelim em MT:

  • Janela de plantio: Final de fevereiro a início de março (após a colheita da soja).
  • Tempo de colheita: Aproximadamente 120 dias.
  • Destino: 99% da produção é voltada à exportação, com foco especial na China.

Diversificação e mercado externo

A abertura do mercado chinês para o produto brasileiro foi o combustível que faltava para transformar a resistência climática em lucro. Ao diversificar a produção rural, o agricultor mato-grossense reduz sua exposição aos riscos do mercado de commodities e, simultaneamente, aos impactos do aquecimento global.

A tendência é de expansão contínua, com Mato Grosso liderando a participação brasileira no comércio global desta oleaginosa, provando que a inovação no campo passa, necessariamente, pelo respeito aos novos limites impostos pelo clima.