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Você sabia? Enfezamento pode causar até 70% de perda no milho

Você sabia? Enfezamento pode causar até 70% de perda no milhoDoença volta a preocupar produtores o Centro-Oeste. Foto: Embrapa

Clima exige controle extra para evitar prejuízos causados pela cigarrinha do milho
Produtores temem infestação de cigarrinha diante alta incidência de milho tiguera
Cigarrinha do milho pode ser combatida com bioinsumos

O complexo de enfezamento do milho voltou a preocupar produtores nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, devido aos danos causados pela cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). Este inseto transmite patógenos que geram o enfezamento pálido, o enfezamento vermelho e o vírus da risca, podendo reduzir a produtividade entre 20% e 70%, ou até causar a perda total da lavoura. As informações são do Agrolink.

“A cigarrinha é uma praga específica do milho, que nela se alimenta, vive e se reproduz. Mas ela não nasce contaminada. Para transmitir os patógenos, precisa se alimentar de uma planta já doente e, então, disseminar a infecção para as demais”, explica Thiago Filippin, desenvolvedor de mercado da FMC.

Por isso, de acordo com ele, o controle deve ser preventivo.

A época de semeadura é uma decisão estratégica. Filippin afirma que “plantios precoces encontram menor população da praga no campo. Já semeaduras tardias ficam expostas a cigarrinhas que migram de áreas já colhidas e carregam patógenos, aumentando o risco de infecção”.

Os sintomas variam: amarelamento e perfilhamento excessivo (pálido), folhas avermelhadas (vermelho) ou raiado fino (virose).

Outro ponto vital é a eliminação do milho tiguera (plantas voluntárias), que servem de “ponte verde”. Segundo o especialista, “a cigarrinha precisa da planta de milho para completar seu ciclo. Se houver tiguera na entressafra, ela encontra abrigo e alimento, perpetuando o problema. Por isso, eliminar as tigueras é estratégia fundamental no manejo da praga”.

Genética e Tratamento de Sementes

A escolha de cultivares tolerantes a molicutes é essencial, especialmente para quem planta no meio ou fim da janela. Filippin recomenda priorizar essas sementes e utilizar o tratamento químico inicial.

“Busque produtos com bom residual, alta sistemicidade e que garantam eficácia contra a cigarrinha. Inseticidas dos grupos dos neonicotinoides e butenolidas têm se mostrado eficazes nessa etapa”.

Muitos produtores focam apenas na aplicação foliar, o que Filippin considera um erro.

“A pulverização é uma ferramenta relevante, mas não é a principal. O milho cresce rápido, emitindo uma nova folha a cada quatro dias, e é exatamente nessas folhas novas que a cigarrinha se instala. Isso impõe um desafio operacional enorme ao produtor”, alerta. O foco deve ser o monitoramento e a redução da praga a níveis aceitáveis, e não a erradicação total.

O manejo integrado, unindo planejamento e suporte técnico, é a única saída sustentável. Filippin reforça que “é fundamental que o produtor veja o manejo do enfezamento não como uma receita, mas como um sistema, onde cada decisão impacta diretamente nos resultados finais”.