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Brasil começa a tirar do papel rastreabilidade individual de bovinos

Brasil começa a tirar do papel rastreabilidade individual de bovinosMedida ainda passa por debates e entraves. Foto: Agência Brasil

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A rastreabilidade  das cadeias produtivas da carne é estratégia essencial para evitar que os pecuaristas do País percam mercado internacionalmente, uma vez que a União Europeia (UE) fecha cada vez mais o cerco a produtos ligados ao desmatamento.

Por isso é uma boa noticia saber que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha em uma proposta de regulamentação da rastreabilidade individual de bovinos no Brasil. A medida é apontada como alternativa ao hoje falho sistema de rastreabilidade por lotes usado no Brasil e viria para garantir maior qualidade sanitária e ambiental da carne produzida no país.

Até que a rastreabilidade individual seja de fato implementada, porém, muitos obstáculos precisam ser superados, como resistências do setor e divergências sobre sua funcionalidade dentro do próprio governo. Essa é a conclusão do site ((o))eco, que ouviu os principais atores dessa articulação.

Segundo apuração do site há a informação de que um sistema nacional de rastreabilidade individual será implementado, com numeração também nacional e única. Ainda não está definido qual órgão seria responsável pela gestão do sistema.

Embates

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura sugeriu ao Mapa que o processo seja conduzido de forma gradual e por uma organização com trânsito entre todos os atores e elos da cadeia produtiva, ancorado em uma política nacional de rastreabilidade instituída pelo governo federal e com amplo envolvimento do setor produtivo.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por sua vez, não encara o assunto com tanta urgência. Sua proposta é que o sistema seja voluntário e com prazo mínimo de oito anos para adaptação dos produtores rurais.

Segundo a CNA, o pecuarista é que deve estar no centro das discussões e o novo sistema teria que trazer benefícios ao setor.

“Se ele (pecuarista) não visualizar qualquer benefício, sua adesão fica prejudicada, afetando toda a cadeia”, disse

Para Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a proposta da CNA pode significar uma postergação infinita do pecuarista em aderir ao sistema.

Segundo o Ministro Carlos Fávaro, o Mapa não realizará esse processo sozinho. Iniciativa privada e organizações sociais vão participar ativamente dessa construção.