HomePecuária

Novas técnicas promovem ganho na reprodução de corte

Novas técnicas promovem ganho na reprodução de corteAs estratégias foram desenvolvidas pela Embrapa. Foto: CNA

Está no ar plataforma que dá desconto por boas práticas
Assinado acordo para conter desmatamento na Amazônia
Queimadas aumentaram 40% no Centro-Oeste em outubro

Resumo

  • O 1º SIMFertCorte reuniu especialistas para aproximações práticas entre a ciência de laboratório e o manejo nas fazendas, focando no aumento de prenhez e na eficiência do rebanho.
  • A Embrapa desenvolveu análises mais precisas para identificar touros com fertilidade realmente acima da média, superando limitações dos testes tradicionais de centrais de sêmen.
  • Novos protocolos hormonais visam reduzir o manejo no curral, melhorar o bem-estar animal e acelerar a recuperação do útero no pós-parto, garantindo prenhez mais rápida e redução de custos.
  • O foco das pesquisas mudou da quantidade para a qualidade embrionária, selecionando estruturas com maior potencial de virar bezerros e evitando gastos com receptoras que não seguram a gestação.
  • Estudos da UFC buscam identificar proteínas específicas no sêmen que servem como “assinatura” de fertilidade, prevendo o desempenho do touro no campo e em laboratório.
  • A Embrapa estuda a edição genética (gene slick) para gerar bovinos de pelo curto e liso, reduzindo o estresse térmico no verão e mantendo a produtividade do animal.

 

Encurtar o caminho entre a pesquisa de laboratório e a rotina da fazenda. Esse foi o objetivo do 1º Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte (SIMFertCorte), evento que reuniu especialistas para discutir soluções práticas para o campo: como escolher touros realmente superiores, simplificar a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), produzir embriões de mais qualidade e até criar animais mais resistentes ao calor.

Confira as principais novidades apresentadas no simpósio e como elas podem impactar a eficiência do seu rebanho:

1. Touros de alta fertilidade: nem todo sêmen aprovado rende igual

Aprovado na central não é garantia de taxa máxima de prenhez. O pesquisador Roberto Torres Jr., da Embrapa Gado de Corte (MS), alertou que existem diferenças marcantes de fertilidade até mesmo entre touros que passam nos testes tradicionais das centrais de inseminação.

Para resolver isso, a Embrapa desenvolveu novos modelos de análise que corrigem fatores externos e identificam os garrotes que realmente emprenham mais vacas. Com essa certificação mais precisa, o pecuarista passa a investir no sêmen correto, garantindo um índice maior de prenhez na IATF gastando menos.

2.IATF mais simples, com menos serviço e mais bezerros

Facilitar o trabalho da peotagem no curral sem perder a eficiência da reprodução. Essa foi a proposta levada pelo pesquisador Luiz Francisco Pfeifer, da Embrapa Rondônia (RO).

Novos protocolos de IATF estão sendo desenhados para:

Diminuir o manejo no curral, gerando menos estresse para o gado e menos trabalho para a equipe.

Melhorar o bem-estar animal, o que reflete diretamente nas taxas de concepção.

Tratar o útero da vaca no pós-parto: a aplicação de protocolos hormonais específicos ajuda a matriz a limpar o útero mais rápido, fazendo com que ela emprenhe logo no início da estação de monta.

“Trabalho menor no curral e vacas emprenhando mais cedo significam mais quilos de bezerro desmamado e mais caixa para a propriedade”, destacou Pfeifer.

3. Foco na qualidade do embrião (FIV/PIVE)

Quando o assunto é produção de embriões em laboratório, quantidade não é tudo. A geneticista Margot Dode, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), reforçou que o foco da pesquisa agora é selecionar embriões de alta qualidade — aqueles que realmente seguram a gestação e viram bezerros fortes no pasto.

Aperfeiçoando a escolha dos óvulos e dos embriões antes da transferência para a receptora (barriga de aluguel), o produtor evita o desperdício de dinheiro com exames e manutenções de vacas que não vão vingar a prenhez.

4. A “assinatura” do touro no sêmen

Sabe aquele touro que tem o exame de sêmen perfeito no microscópio, mas não entrega o mesmo resultado no campo? O professor Arlindo Moura, da Universidade Federal do Ceará (UFC), estuda proteínas presentes no líquido do sêmen que servem como “marcadores de fertilidade”.

Identificar essas substâncias no sêmen ajuda a prever com antecedência quais touros congelam melhor e têm maior capacidade de emprenhar vacas a campo ou no laboratório.

5. Gado de pelo curto contra o estresse térmico

No calor do verão brasileiro, o boi gasta energia tentando se esfriar em vez de engordar ou emprenhar. Pensando nisso, o pesquisador Luís Sérgio Camargo, da Embrapa Gado de Leite (MG), apresentou um estudo que utiliza edição genética (ferramenta CRISPR) para fazer nascer bezerros com o gene slick — que dá aquele pelo curto, liso e brilhante.

Em testes realizados em Minas Gerais durante o verão, os animais com pelo curto esquentaram menos e arfaram bem menos no pasto do que os animais de pelagem normal. A pesquisa ainda está em fase experimental, mas no futuro permitirá produzir touros e matrizes naturalmente adaptados ao calor extremo, sem perder a produtividade.

O resumo para o pecuarista

Unir a ciência ao manejo diário no curral não é luxo, é matemática. A combinação de sêmen certificado, protocolos de IATF mais práticos, embriões mais resistentes e genotipagem para o clima certo garante uma estação de monta mais curta, vacas prenhes mais cedo e uma safra de bezerros mais pesada.