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Seca responde por 80% das perdas históricas nas lavouras de MS

Seca responde por 80% das perdas históricas nas lavouras de MSNeste ano, o impacto se concentrou na região sul do estado. Foto: Aprosoja/MS

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A seca voltou a assombrar os produtores rurais de Mato Grosso do Sul: em abril, um levantamento da Aprosoja/MS revelou que apenas 41,2% das lavouras de soja do Estado estavam em boas condições, enquanto 44,2% eram regulares e 14,6% ruins.

O fantasma não é novo. A forte estiagem respondeu por 80,5% das perdas registradas nas lavouras locais entre 2006 e 2021. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), esse período histórico acumulou 7.839 acionamentos do Programa de Seguro Rural (PSR) por causa da estiagem.

Neste ano, o impacto da falta de chuva se concentrou na região sul do Estado, castigando municípios polo como Maracaju, Dourados, Ponta Porã e Amambai, onde as lavouras enfrentaram estiagem prolongada em fases decisivas de desenvolvimento. Além de derrubar a produtividade, a seca travou os negócios. A comercialização da safra atingiu 42,5% do volume estimado — ritmo abaixo do ciclo anterior —, com o preço médio da saca recuando para R$ 110,25.

Manejo do solo é saída contra extremos

Diante de um cenário onde a seca deixou de ser um evento isolado para virar um desafio estrutural, especialistas defendem que a blindagem do setor está na tecnologia de conservação. Durante a Expoagro, em Dourados, o pesquisador Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, explicou que o produtor precisa adotar estratégias práticas para reter água e ganhar resiliência.

As principais ferramentas recomendadas por Salton e debatidas por produtores no Showtec 2026, em Maracaju, incluem:

  • Plantio direto e aumento do tempo sem revolvimento da terra;
  • Ampliação da cobertura vegetal e diversificação de cultivos.

Essas ações ajudam na reciclagem de nutrientes, aumentam o carbono no solo, melhoram a saúde das plantas e garantem maior retenção de água quando a chuva some.

Embora granizo, geada, excesso de chuva e incêndios também ameacem a produção, a estiagem continua sendo o principal gargalo.

Novo Zoneamento vai premiar o bom produtor

A gravidade do cenário acelerou mudanças nas regras de crédito e seguro. Salton destacou o avanço do ZarcNM, a nova metodologia do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que agora vai levar em conta a qualidade do manejo do solo para avaliar os riscos climáticos da propriedade.

O sistema já funciona em um projeto-piloto para a soja no Paraná nesta safra. A previsão é que a tecnologia chegue a Mato Grosso do Sul no ciclo 2026/2027, estendendo-se também para as culturas de milho e trigo.

Mesmo sob o peso dos problemas climáticos no sul do estado, Mato Grosso do Sul deve fechar a safra 2025/2026 com uma estimativa recorde de produção de soja, puxada pelo excelente desempenho das demais regiões produtoras.

O resultado confirma a força do setor, mas os números finais deixam o aviso claro: a sobrevivência e a rentabilidade do agro sul-mato-grossense dependem, cada vez mais, de como o produtor cuida do chão onde planta.