HomeEconomia

Impulsionado pela agricultura, PIB do agro fecha semestre com alta de 9,81%

Impulsionado pela agricultura, PIB do agro fecha semestre com alta de 9,81%

Grande parte da produção em Mato Grosso já está se tornando mais sustentável, diz diretor da PCI
Na Agrishow, setor cobra divulgação de histórico ‘sustentável’ do agro
Extremos climáticos geram perdas de R$ 287 bi no agro brasileiro

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro acumula alta de 9,81% no primeiro semestre deste ano em comparação com igual período do ano passado, informou, em nota, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), que calcula o indicador em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nesta quarta-feira, 15/9.

Ainda conforme o Cepea, considerando-se o desempenho do agronegócio e da economia do País até o momento, a participação do agronegócio no PIB nacional deve se manter em torno de 30% neste ano.

“Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso vem dos resultados observados para o ramo agrícola, tendo em vista que o pecuário caiu no balanço do primeiro semestre de 2021”, diz a nota.

Na área agrícola, o avanço foi mais forte ainda, de 14,46% no primeiro semestre, sendo que o segmento primário (agricultura) manteve o destaque, em razão dos elevados preços das commodities agrícolas.

“No entanto, o avanço dos custos com insumos e as quebras de produção em diferentes culturas, devido ao clima desfavorável, limitaram o crescimento do PIB”, adverte o Cepea.

Já o PIB pecuário recuou 2,18% no primeiro semestre, em razão dos custos com insumos – seja dentro da porteira, na agroindústria ou nos agrosserviços do ramo.

“No segmento primário (pecuária), o PIB cresceu de forma modesta, tendo em conta as fortes elevações dos preços dos animais vivos e do leite”, diz o Cepea, que complementa: “Isso porque a alta dos custos foi mais intensa do que a alta dos valores dos produtos.”

Além disso, pesquisadores do Cepea ressaltam que pesou sobre o PIB a menor produção de bovinos no campo – atividade de maior representatividade no PIB do segmento -, que se contrapôs aos aumentos nas produções de frango e suínos.

Em relação à produção agroindustrial e aos serviços ligados ao agronegócio, o forte resultado de ambos na área agrícola chamou a atenção, diz o Cepea.

“Na agroindústria, a recuperação do nível de produção foi intensificada a partir de abril, e os setores que se destacaram foram o de produtos e móveis de madeira, de papel e celulose, o setor têxtil e de vestuário, o de produção de conservas e o de bebidas”, diz o relatório.

Já no caso dos serviços ligados ao setor agropecuário, o forte avanço do PIB esteve atrelado aos desempenhos a montante – ao bom desempenho do campo e, mais recentemente, à recuperação da produção agroindustrial mencionada -, que contribuíram para a ampliação do uso de serviços diversos, desde comércio e transporte até financeiros, de comunicação, jurídicos, contábeis etc.

Já na agroindústria ligada ao setor pecuário, o Cepea diz que, em geral, a alta das matérias-primas não pôde ser repassada em mesma medida aos preços negociados, diante da fragilização da demanda doméstica, causando um estreitamento das margens. Além disso, o abate de bovinos caiu, por causa da escassez de bois no campo. “Nos agrosserviços, o recuo do PIB no ramo pecuário também refletiu o comportamento a montante.”

Fonte: Estadão Conteúdo