HomeCerrado

Técnicas simples ajudam a controlar mato nas lavouras

Técnicas simples ajudam a controlar mato nas lavourasEstudo mostra controle natural de plantas invasoras no Cerrado. Foto: TV Brasil

Cerrado tem maior índice de queimadas em 12 anos
Estado que mais queima no Brasil, MT perdeu 5,5 milhões de ha
Superior ao da agricultura, área de pasto cresceu 197% em MT

No Cerrado goiano, técnicas simples como rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e semeadura direta estão ajudando produtores a conviver com as chamadas plantas espontâneas – o “mato” – sem depender de herbicidas. A estratégia, além de reduzir o custo e o trabalho com capinas, também fortalece sistemas orgânicos e agroecológicos, nos quais o uso de produtos químicos não é permitido.

Essa constatação vem de um estudo realizado ao longo de quatro anos na Fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás (GO), em área de transição do sistema convencional para o orgânico e agroecológico. O trabalho avaliou como diferentes plantas de cobertura e formas de preparo do solo influenciam na presença das plantas espontâneas.

Foram implantados experimentos combinando plantas de cobertura em sistema de semeadura direta e preparo convencional, além de uma área em pousio (apenas vegetação nativa presente na área) para comparação. Milho e feijão eram cultivados no período chuvoso, seguidos por crotalária, guandu, mucuna-preta e sorgo vassoura na entressafra.

No experimento, foram registradas 25 espécies de plantas espontâneas, com destaque para tiririca, trapoeraba, corda-de-viola, picão-preto e leiteiro. A tiririca, considerada um dos principais problemas em agroecossistemas tropicais, apresentou redução significativa nas áreas com cobertura de solo.

“Em sistema de semeadura direta, a população de tiririca foi também reduzida em cerca de três vezes comparativamente ao sistema de preparo convencional do solo”, relata Agostinho Didonet, pesquisador da Embrapa e um dos coordenadores do estudo. Ele explica que sorgo vassoura, milheto e crotalária, usados como cobertura de solo, ajudaram a manter o mato sob controle devido à alta produção de biomassa e à capacidade de cobrir o solo.

Outra planta comum no Cerrado, a trapoeraba, também foi afetada pelas plantas de cobertura. “A utilização da crotalária, guandu e mucuna permitiu quase o mesmo controle da trapoeraba, quando comparado ao pousio e ao sorgo vassoura”, disse Didonet. Nesse caso, o tipo de preparo do solo – convencional ou direto – não influenciou significativamente o efeito supressor.

O pesquisador ressalta que, de forma geral, o uso de plantas de cobertura manejadas no sistema de semeadura direta reduziu a competitividade das plantas espontâneas em lavouras orgânicas de milho e feijão.

Segundo Didonet, práticas como rotação de culturas na safra, cultivo de diferentes plantas de cobertura na entressafra e a presença de vegetação no pousio contribuem para manter o equilíbrio, sem predomínio de uma única espécie.

“Isso facilita o controle e a convivência com plantas espontâneas seguindo princípios agroecológicos na produção de grãos”, explica.

Essas estratégias também ajudam a preservar o solo, manter a biodiversidade e fortalecer a sustentabilidade da produção.

LEIA MAIS:

Aprosoja lança guia para controle de plantas daninhas

Protetor solar para plantas aumenta produtividade no campo

Avanço de pragas ameaça lavouras de soja em Mato Grosso