Por André Garcia
O Pantanal seguiu na contramão da maioria dos biomas brasileiros e apresentou alta de 16,5% no desmatamento em 2024. Segundo dados consolidados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no último ciclo de monitoramento, foram perdidos 842,44 km² quadrados de vegetação nativa.
O resultado interrompe uma tendência de queda observada nos dois anos anteriores e representa o maior índice anual de supressão no Pantanal desde 2006. Desde o início da série histórica, o bioma já perdeu mais de 31 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa, o equivalente a cerca de 20,7% de sua área total.
Embora se refiram ao ano de 2024, os dados fazem parte da série histórica oficial do Prodes. Em nota técnica, o Inpe destaca que a consolidação dos dados do Prodes serve para a análise de tendências de médio e longo prazo do desmatamento no Brasil, de forma complementar aos resultados antecipados.
Mapa da destruição
Mato Grosso do Sul concentrou 640,29 km², o equivalente a 76% da área desmatada no bioma no período, enquanto Mato Grosso respondeu por 202,15 km², ou 24% do total. Entre os municípios, Corumbá e Aquidauana lideraram a destruição, com 402,07 km² e 99,82 km² respectivamente. Somada, esta área corresponde a 60% do desmate.
Na sequência do ranking aparecem Cáceres (MT), com 77,90 km², e Porto Murtinho (MS), com 69,80 km² desmatados. Também registraram áreas relevantes Barão de Melgaço (MT), com perda de 52,48 km², Santo Antônio de Leverger (MT), com 37,12 km² e Rio Verde de Mato Grosso (MS) com 31,22 km².

Crédito: Inpe
Dinâmica do desmate
As análises são feitas a partir de imagens de satélites das áreas com supressão, identificadas automaticamente e classificadas a partir dos índices de vegetação. Depois passam por interpretação visual. Assim, o material traz exemplos de campo que ajudam a ilustrar o tipo de alteração identificado pelo Prodes Pantanal.
Em uma das áreas analisadas em 2024, no município de Aquidauana (MS), a supressão da vegetação nativa foi seguida pela implantação de pastagem, confirmação feita a partir de imagens de satélite e de sobrevoos realizados em parceria com entidades como o Ibama e a Embrapa.
Melhora em 2025
Para o próximo ciclo, os números anunciam uma melhora. E entre agosto de 2024 e julho de 2025, o desmate foi de 291,21 km², sendo o menor valor já registrado desde o início do monitoramento anual, em 2001. Isso representa uma redução de 65,4% em relação ao incremento mapeado no ano de 2024 (842,44 km²), que havia sido o terceiro maior valor da série histórica.
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