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O clima mudou e seguirá mudando, alerta agência meteorológica

O clima mudou e seguirá mudando, alerta agência meteorológicaIncêndio na Serra de Mija , na Espanha, consumiu 1.900 ha. Foto: Benalmádena

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“No futuro, esse tipo de onda de calor será normal. Veremos extremos mais fortes. Bombeamos tanto dióxido de carbono na atmosfera que a tendência negativa continuará por décadas”. A constatação é do secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial da ONU (Organização das Nações Unidas), Petteri Taalas, sobre as elevadas temperaturas dos últimos dias no Hemisfério Norte.

Um verão histórico, que será lembrado pela onda de calor que já matou 1.500 pessoas somente na Espanha e em Portugal, fez os termômetros do Reino Unido atingirem inéditos 40,2 graus. Essa atual estação já é responsável pela maior seca dos últimos 70 anos na Itália e tem causado incêndios florestais por toda a Europa, entre outras consequências nefastas na vida de milhares de seres humanos, animais e na natureza. Nos Estados Unidos, a situação é parecida, com temperaturas que chegam a 45°C em várias cidades.

“Um verdadeiro lembrete de que o clima mudou e seguirá mudando”, como bem assinalou Stephen Belcher, da agência meteorológica britânica, Met Office.

Mato Grosso

No Brasil e em todo o mundo, altas temperaturas, secas e enchentes vêm castigando cidades e campos com fortes impactos sociais e econômicos, especialmente na agropecuária.

O mato-grossense já está habituado a altas temperaturas quase que em todos os meses do ano, mas se invertermos as estações, não se encontrará em Mato Grosso qualquer registro de um inverno com temperaturas negativas, como ocorre no Hemisfério Norte. Claro que não dá para comparar maçã com beterraba.

Fato é que há uma anormalidade em curso em nosso Estado: o Cerrado, bioma do qual o Mato Grosso faz parte, ardeu em chamas no mês de maio, com 3.578 focos de calor computados. O número representa um recorde para o Cerrado: é o maior já registrado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) no período desde 1998, quando começou a série histórica. A cifra também é 35% maior do que maio de 2021, quando foram registrados 2.649 focos de calor.

E por que o clima mudou?

Segundo o relatório publicado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) lançado em fevereiro, a frequência de certos tipos de eventos climáticos extremos está crescendo devido às alterações climáticas globais atribuídas às atividades humanas – leia-se desmatamento, queima de combustíveis fósseis, conversão do uso do solo, agropecuária e descarte de resíduos sólidos.

Segundo o meteorologista do INMET, Mozar de Araújo Salvador, mestre e doutor em Climatologia, a onda de calor na Europa e Estados Unidos e as chuvas intensas em parte do Nordeste podem ser explicadas, entre outros fatores, pela presença do fenômeno La Niña, que tem como característica favorecer ou potencializar tais condições climáticas. Com a temperatura média do planeta cada vez elevada, as condições climáticas tendem a ser ainda mais severas.

E qual é o impacto dessas mudanças no agronegócio?

Segundo Mozar Salvador, além dos transtornos gerais causados pela onda de calor, existem os problemas econômicos.

“Isso impacta a pecuária e a agricultura, que podem ser afetadas pelo excesso de calor, que geralmente vem acompanhado pela falta de chuva. É um efeito duplo da atmosfera que afeta a economia.”

De acordo com recente relatório publicado pelo IPCC, caso as temperaturas continuem a subir, a produção de arroz poderia cair em 6% com altas emissões, ou 3% com cortes rápidos de emissões. A produção de trigo poderia cair 21% com altas emissões ou 5% com cortes rápidos de emissões. Já a de milho em 10% com altas emissões ou 6% com cortes rápidos de emissões.

O calor extremo também causaria redução no crescimento animal e  afetaria a produção de leite e ovos, além de aumentar a mortalidade dos animais, uma vez que o gado, os suínos e as galinhas não estão acostumados a estresse térmico extremo na maior parte do Brasil.

Outro fator que sofrerá impacto é o consumo de energia, com a necessidade de câmaras especiais para manter os alimentos em temperatura ideal.

Como se isso não bastasse, fenômenos climáticos extremos ainda podem implicar no preço dos seguros rurais.

Fonte: Inmet, com agências de notícias