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Centro-Oeste é principal foco de risco climático para a safra 2025/26

Centro-Oeste é principal foco de risco climático para a safra 2025/26Chuvas irregulares e calor elevam a atenção no manejo da safra. Foto: Secom/MT

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Por André Garcia

O Centro-Oeste brasileiro deve concentrar um dos principais pontos de atenção climática do agronegócio no ciclo 2025/26, segundo o relatório publicado nesta semana pela StoneX. Para o período, a consultoria destaca a combinação entre chuvas irregulares, temperaturas acima da média e alta sensibilidade do milho safrinha.

Segundo a analista Carolina Giraldo, quando não há atuação clara do El Niño ou La Niña, como no cenário de neutralidade projetado para este ano, o regime de chuvas tende a ficar mais irregular e menos previsível.

“Nas áreas do centro-norte de Mato Grosso, Goiás e Matopiba, as projeções multimodelo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) para o trimestre janeiro–fevereiro–março (JFM) de 2026 indicam um sinal fraco, porém consistente, de maior probabilidade de chuvas abaixo da média”, explica.

Safrinha exigirá atenção

Carolina destaca que o cenário é particularmente relevante porque janeiro e fevereiro são meses estratégicos para o agronegócio, coincidindo com o encerramento da colheita da soja e com a janela de implantação do milho safrinha.

“Fevereiro é o mês-chave para a reposição da umidade do solo, especialmente nas áreas onde o milho é semeado logo após a colheita da soja. Um déficit hídrico nesse momento, mesmo que temporário, pode comprometer a emergência uniforme, reduzir o vigor vegetativo inicial e limitar o desenvolvimento do sistema radicular da cultura.”

O calor excessivo previsto para os meses de janeiro a março agrava a situação, pois faz com que a umidade do solo evapore mais rápido e as plantas precisam de muito mais água justamente no começo do seu crescimento. Além disso, atrasos na semeadura podem deslocar o desenvolvimento do milho para o outono, quando a radiação solar e a disponibilidade térmica diminuem.

“Em casos de atraso na semeadura, existe ainda o risco de a cultura avançar para o outono, quando a redução da radiação solar e da disponibilidade térmica eleva a probabilidade de perdas no fechamento da safra”, afirmou.

Monitoramento e manejo como vantagem competitiva

Nesse cenário a vantagem competitiva estará na capacidade de fazer uma “leitura fina” das condições regionais, acompanhando não apenas o volume total de precipitação, mas principalmente sua distribuição no tempo e o estágio de desenvolvimento das lavouras em cada área.

“Em suma, a combinação de La Niña fraca e alta variabilidade intrassazonal (irregularidade ao longo da estação) exige estratégias de manejo flexíveis e um monitoramento constante, superando a dependência de médias históricas ou sinais de larga escala.”

 

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