HomeProdutividade

Fazenda do MS fatura alto com integração entre lavoura e pecuária

Fazenda do MS fatura alto com integração entre lavoura e pecuáriaFoto: Divulgação

Brasil pode reduzir até 92,6% das emissões da carne até 2050
Preocupados com seca, precuaristas tentam segurar preço do boi gordo
Cresce exportação de carne bovina do Mato Grosso para o Reino Unido

Por André Garcia

Animais abatidos com até dois dentes, peso acima de 21 arrobas e entrega semanal para a indústria. Esse é o resultado do modelo produtivo adotado pela Fazenda Cerejo, em Angélica, que combina recria intensiva, integração lavoura-pecuária e terminação em confinamento. A estratégia permite produzir gado jovem, pesado e enquadrado nos padrões exigidos pelo mercado de exportação.

A propriedade é conduzida pela terceira geração da família Garcia Nascimento e tem como foco a recria e a engorda. Ao Giro do Boi, Gabriel Garcia Nascimento, responsável pela gestão atual, conta que o modelo foi construído ao longo do tempo, com base na experiência acumulada desde a chegada do avô ao Mato Grosso do Sul, em 1964.

“Desde a época do meu avô a gente trabalha com recria e engorda. Ao longo dos anos fomos aprendendo a integrar lavoura ao sistema, o que hoje faz parte importante do negócio”, afirmou.

A recria dos animais dura, em média, oito meses e é apoiada por áreas agrícolas da própria fazenda. Após essa fase, os bovinos seguem para a terminação em confinamento, onde permanecem entre 100 e 120 dias. O critério para o abate é o desempenho zootécnico.

“Mandamos para o abate quando chega no peso que a gente entende ideal e quando a boiada começa a cair consumo”, explicou Gabriel.

O foco está em abrir carcaça durante a recria e finalizar o acabamento na fase de confinamento. A estratégia permite explorar melhor o potencial genético dos animais e alcançar pesos mais elevados ainda jovens. Parte dos lotes se enquadra no padrão China, que hoje representa a maior fatia da produção da fazenda.

Além da pecuária, a fazenda também trabalha com lavouras de grãos e cana-de-açúcar. A diversificação, segundo o produtor, melhora tanto a rentabilidade quanto os indicadores agronômicos da propriedade.

Sucessão familiar

A sucessão familiar ocorreu de forma precoce, após a morte do pai de Gabriel, mas foi construída a partir do aprendizado cotidiano desde a infância e da manutenção do modelo produtivo da família. Esse processo de continuidade também orientou decisões recentes da fazenda, que passou a operar como boitel, recebendo animais de terceiros para engorda.

Essa mesma lógica de abertura levou à criação do evento Conexão GN, realizado na própria fazenda, com o objetivo de reunir produtores e profissionais da cadeia para discutir manejo, recria, confinamento e mercado, fortalecendo a troca de experiências dentro do setor.

“Desde pequeno eu acompanhava meu pai e meu avô. Tudo o que a gente faz hoje é resultado do que aprendemos com eles. Temos que olhar para as gerações passadas com muito respeito”, conclui.

 

LEIA MAIS:

De pai para filho: sucessão é chave para modernizar o agro

Renda de 110%, carbono e sucessão familiar: a vez da agrofloresta

Artigo: A sucessão familiar em empresas do agro

Conheça o sistema que concilia produtividade e regeneração

Agro ocupa 32% do Brasil e avança em intensificação do solo

Entenda como plantio direto reduz impacto da falta de chuva