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Amazônia reduz 35% do desmate e pode ter menor taxa desde 1988

Amazônia reduz 35% do desmate e pode ter menor taxa desde 1988De agosto a janeiro áreas sob alerta de desmate totalizaram 1.324 km². Foto: Divulgação/Polícia Federal

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Por André Garcia

A Amazônia registrou queda de 35% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 12/2, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Com base nessa tendência, o governo federal projeta que o ano poderá encerrar o ciclo com a menor taxa desde 1988.

No comparativo, anual a queda foi de 11%: foram 5.796 km2 foram desmatados no ano passado, ante 6.518 km2 desmatados em 2024.

“Temos uma expectativa, acompanhando os últimos seis meses, de agosto a 31 de janeiro, de chegarmos à menor taxa de desmatamento na Amazônia da série histórica se continuarmos com esses esforços”, disse a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marina Silva, durante coletiva de imprensa.

Nos últimos seis meses, as áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal totalizaram 1.324 km², ante 2.050 km² no mesmo período do ciclo anterior. A degradação florestal também recuou, passando de 44.555 km² para 2.923 km², uma redução de 93%.

O ano considerado nos cálculos oficiais corresponde aos 12 meses entre o início de agosto e o fim de julho do ano seguinte. A consolidação do resultado, porém, ainda depende do comportamento dos meses finais do período, que historicamente concentram maior volume de desmatamento, especialmente no fim da estação seca.

“Se ele [o desmatador] fizer o desmatamento muito cedo, quando vem o período de chuva, vai rebrotrar, regenerar naquele pedaço e ele vai ter que fazer de novo o desmatamento. Normalmente o desmatamento é feito no final da estação seca”, explicou o coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros, Claudio Almeida.

ados de desmatamento do Deter foram divulgados durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. – Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Cerrado e Pantanal

No Cerrado, foram identificados 1.905 km² sob alerta de desmatamento, contra 2.025 km² no ciclo anterior, queda de 6%. Já no Pantanal, houve aumento de 45,5%, passando de 202 km² para 294 km². Na comparação entre 2023 e 2024, contudo, havia sido registrada queda de 65,2%, indicando oscilação recente na dinâmica do bioma.

Os dados são do Deter, sistema de alertas diários que difere do Prodes, também do Inpe, que mede a taxa anual oficial de desmatamento no período de agosto a julho.

Fiscalização ampliada

O governo atribui a tendência de queda ao fortalecimento da fiscalização e do monitoramento ambiental, que, entre 2022 e 2025 contribuiu para uma queda de 50% do desmatamento na Amazônia e de 32,3% no Cerrado, segundo o Prodes. A meta oficial é eliminar o desmatamento ilegal até 2030.

Para isso, o Ibama elevou o número de ações de fiscalização em 59%, enquanto o ICMBio ampliou em 24% suas operações. As áreas embargadas cresceram 51% no Ibama e 44% no ICMBio no mesmo período.  No total, o número de operações de fiscalização ambiental na Amazônia cresceu quase 148% em relação ao ciclo anterior.

Capital ambiental

O governo também vem apostando em ordenamento territorial e financiamento climático. O governo prevê destinar 15 milhões de hectares de florestas públicas até 2026 e reativou o Fundo Amazônia, que movimentou R$ 3,6 bilhões nos últimos três anos e aprovou R$ 850 milhões em 2025 para reforçar a fiscalização.

Ao comentar os números, Marina Silva destacou ainda que a contenção do desmatamento ocorre paralelamente ao crescimento do agronegócio, numa resposta a críticas de que o reforço da política ambiental comprometeria a atividade econômica.

“O desmatamento caiu e o agronegócio continua crescendo, abrimos 500 novos mercados para a agricultura brasileira, fechamos o acordo com a União Europeia com o Mercosul numa demonstração de que políticas públicas consistentes, bem desenhadas e implementadas, feitas de forma republicana, dão resultados.”

 

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