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Temperatura da Terra sobe o dobro do esperado na última década

Temperatura da Terra sobe o dobro do esperado na última décadaEstudo aponta que temperatura quase dobrou. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Nem os modelos climáticos mais pessimistas previam um salto tão brusco. Cientistas alemães confirmaram o que a comunidade internacional temia: a Terra entrou em uma fase de aquecimento recorde na última década. “Fiquei surpreso com o aumento repentino”, confessa o climatologista Stefan Rahmstorf, autor do estudo que aponta que taxa de aumento na temperatura quase dobrou na última década.

A pesquisa, publicada na revista “Geophysical Research Letters” por cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), demonstra com alto grau de precisão estatística que o aquecimento global está avançando muito mais rápido. A partir de 1970, o índice de elevação era constante, de cerca de 0,2 grau Celsius por década.

No entanto, de 2014 em diante, a taxa saltou para uma média de 0,35 grau Celsius por década. Se o ritmo se mantiver, o limite de 1,5 grau Celsius definido pelo Acordo de Paris será ultrapassado até 2030.

A aceleração da mudança climática vinha sendo debatida, mas estudos anteriores tinham margens de erro que tornavam os resultados inconclusivos. Agora, os pesquisadores do PIK analisaram cinco prestigiados conjuntos de dados globais — incluindo Nasa e o observatório europeu Copernicus — e descontaram a influência de eventos como El Niño e variações solares.

Uma das principais hipóteses para esse ritmo acelerado é a redução de aerossóis na atmosfera. Essas partículas, derivadas da poluição industrial, prejudicam a saúde, mas refletem a luz solar de volta ao espaço. Com regras mais rígidas contra a poluição nos últimos anos, esse efeito de resfriamento diminuiu, deixando o planeta mais exposto ao calor.

Ameaça à produtividade no campo

Para o setor agropecuário, essa aceleração representa um desafio sem precedentes à segurança alimentar e econômica. O aumento mais rápido da temperatura desregula o ciclo hidrológico, tornando as secas mais severas e as chuvas mais erráticas, o que encurta as janelas de plantio e aumenta a incidência de pragas.

Com o aquecimento avançando a 0,35 grau por década, regiões antes consideradas ideais para o cultivo podem enfrentar quebras de safra frequentes, exigindo um investimento massivo em tecnologias de adaptação e irrigação para que o campo consiga acompanhar a nova velocidade do clima.

O caminho para a solução

A solução para frear esse avanço é reduzir as emissões de gases de efeito estufa, vindas da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento. Rahmstorf destaca que o corte nas emissões de metano — um gás 80% mais potente que o gás carbônico, porém com vida mais curta — pode ser um “atalho” para salvar as metas climáticas.

Contudo, o cenário político atual preocupa. O pesquisador aponta que, enquanto o lobby dos combustíveis fósseis tenta frear a ciência em algumas potências, outros países hesitam na transição para energias renováveis.

“Devemos priorizar os esforços para nos livrarmos dos combustíveis fósseis, não só pelo bem do clima, mas também para que países que dependem da importação deles possam se tornar independentes”, afirma o cientista.