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Agricultura regenerativa cresce 9 vezes no sudoeste goiano

Agricultura regenerativa cresce 9 vezes no sudoeste goianoFoto: Embrapa

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O modelo de agricultura regenerativa deixou os campos experimentais e chegou às áreas comerciais do sudoeste goiano. Em Montividiu, o número de propriedades que adotaram o sistema saltou de 7 para pelo menos 67 em cinco anos — um reflexo tanto dos resultados financeiros quanto do suporte institucional que o modelo vem recebendo.

A expansão chama atenção em um contexto em que produtores de soja e milho buscam alternativas viáveis para reverter o desgaste da terra e recuperar a eficiência perdida nos sistemas tradicionais. Publicação da TV Anhanguera mostra que, na região, a prática deixou de ser restrita a campos experimentais e passou a ocupar áreas comerciais expressivas.

Para os produtores, o principal benefício é a redução de custos. A substituição de insumos sintéticos por bioinsumos, por exemplo, pode cortar em até 50% o uso de fertilizantes tradicionais e em até 70% o gasto com defensivos químicos.

Práticas como o plantio direto também diminuem o consumo de combustível e o desgaste de maquinário, enquanto o uso de remineralizadores, como o pó de rocha e o biocarvão, reduz a dependência de insumos importados.

A economia se reflete também no manejo do solo. Ao manter a palhada sobre a terra e revezar culturas como milho, feijão e plantas de cobertura, os produtores preservam a estrutura do solo sem recorrer a pacotes químicos externos.

O resultado é uma lavoura que exige menos insumos a cada safra, na medida em que o solo recupera sua capacidade produtiva natural.

Novas fontes de receita além da porteira

Além da redução de despesas, o modelo abre novas fontes de receita. Produtores podem acessar o mercado de créditos de carbono, receber pagamentos por serviços socioambientais e ampliar o portfólio de culturas dentro da mesma área ao longo do ano, com a comercialização de safras adicionais que o sistema convencional não viabiliza.

A longo prazo, solos mais saudáveis significam maior retenção de água e menor vulnerabilidade em anos de clima adverso. Isso representa uma proteção financeira real contra perdas severas em períodos de seca prolongada ou chuvas intensas, riscos cada vez mais frequentes no Centro-Oeste.

No campo do financiamento, linhas de crédito específicas como o PlanoABC+ e o RenovAgro oferecem condições mais vantajosas para quem faz a transição. O desenvolvimento de métricas como o Protocolo PARS também facilita o acesso a mercados internacionais mais exigentes em rastreabilidade, abrindo caminho para o grão goiano em cadeias globais de alto valor.

Pesquisa e tecnologia no campo

A rápida expansão no estado tem apoio de iniciativas como o Projeto Regenera Cerrado, que reúne pesquisadores, produtores e instituições técnicas para validar cientificamente os manejos em propriedades da região de Rio Verde, que funcionam como laboratórios a céu aberto.

O projeto é coordenado pela Embrapa e executado pelo Instituto BioSistêmico, unindo ciência e prática para desenvolver ferramentas escaláveis para todo o bioma Cerrado.

Em Montividiu, o conceito de economia circular se materializa em usinas de compostagem em larga escala, que misturam esterco de pecuária, bagaço de cana e cama de frango para gerar adubos de alta eficiência produzidos dentro da própria região.

Políticas públicas impulsionam a transição

A Política Estadual de Incentivo à Agricultura e à Economia Regenerativas foi desenhada especificamente para apoiar a recuperação dos ecossistemas locais. Já o Programa Goiás Verde atua no monitoramento do potencial do agronegócio goiano em sequestro de carbono, posicionando o estado como referência em sustentabilidade no cenário nacional.

Esse arranjo institucional, somado aos resultados práticos nas propriedades, sustenta a perspectiva de que a expansão observada em Montividiu pode se repetir em outras regiões do sudoeste goiano nos próximos anos.

Fonte: TV Anhanguera / Projeto Regenera Cerrado

 

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