Resumo
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Uma delegação brasileira apresentou na sede da FAO, em Roma, o estudo “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”, desenvolvido pela FGV Agro.
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O relatório mostra como a tecnologia tropical alia produtividade e preservação, revelando que as práticas atuais já reduzem as emissões absolutas do setor em até 60% até 2050.
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Com o avanço do Plano ABC+, a intensidade de carbono por quilo de carne produzida pode desabar 92,6% (caindo de 80 kg para apenas 5 kg de $CO_2$ equivalente), graças ao sequestro de carbono gerado pela recuperação de pastagens e pela ILPF.
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No Brasil, nos últimos 20 anos, a produção de carne saltou 240% enquanto a área de pastagem encolheu 11%, poupando 397 milhões de hectares. Até 2050, a previsão é liberar mais 35% das pastagens e elevar o peso médio da carcaça de 211 kg para 277 kg.
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Enquanto grandes concorrentes globais enfrentam quedas históricas em seus rebanhos, o Brasil consolida sua posição mantendo 66,3% do território protegido.
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A validação desses dados na ONU serve como argumento técnico para defender a carne brasileira no mercado externo.
O investimento do pecuarista brasileiro em recuperação de pastagens e sistemas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) pode reduzir a intensidade de carbono por quilo de carne produzida em até 92,6% até 2050.
O dado faz parte do estudo “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”, lançado globalmente pela ApexBrasil, ABIEC e Ministério das Relações Exteriores (MRE) na sede da FAO, em Roma, para demonstrar a eficiência técnica da produção tropical.
O documento, elaborado pelo FGV Agro, utiliza modelagem matemática para provar como o manejo e a tecnologia tropical permitem ao País atender à demanda global por alimentos reduzindo o impacto ambiental.
“O primeiro grande resultado do modelo matemático foi mostrar que as tendências que o setor já executa reduzem em até 60% as emissões absolutas até 2050. Quando olhamos para a intensidade de carbono, a redução chega a 80% no cenário de referência, baixando de 80 kg para 16 kg de CO2 equivalente por quilo de carne. Nos cenários mais ambiciosos com o Plano ABC+, a intensidade cai 92,6%, chegando a apenas 5 kg. Isso acontece porque o carbono fixado no solo pela ILPF e pela recuperação de pastagens atua diretamente na remoção dessas emissões”, disse a pesquisadora da FGV Agro, Camila Estevam, apresentou os dados do relatório que traduzem as práticas de manejo em metas de mitigação.
O estudo aponta que, no cenário de maior adoção de tecnologia, o Brasil conseguirá manter a produção em patamares elevados (18,2 milhões de toneladas de carcaça em 2050) liberando mais 35% das áreas de pastagem atuais.
A sustentação desse modelo virá do aumento de 31% no peso médio da carcaça do animal abatido, que deve saltar de 211 kg para 277 kg, impulsionado por investimentos em biotecnologia, nutrição e melhoramento.
“Quando falamos de produção pecuária sustentável, cada país precisa encontrar seu próprio caminho. A Agenda 2030 e seus objetivos não são uma opção. O ponto central é a necessidade de trabalhar em conjunto com agricultores, produtores, setor privado, academia e instituições de pesquisa. A transformação que buscamos precisa ser construída de forma coletiva”, declarou o diretor-geral assistente da FAO, Thanawat Tiensin,
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o diferencial competitivo do Brasil que precisa ser demonstrado ao mercado externo reside na capacidade de otimizar o uso da terra, especialmente por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
“Viemos à FAO mostrar que a pecuária brasileira tem condições de avançar de forma consistente na agenda climática sem abrir mão da produtividade. […] O que o Brasil faz de diferente é que, na mesma área da pastagem pro boi, fazemos uma rotação com lavoura e floresta na mesma propriedade. Isso só o Brasil tem. Já estamos com cerca de 17 milhões de hectares com algum tipo de produção integrada, e o grande benefício é que esse sistema otimiza a terra e reduz a pegada de carbono de forma definitiva.”
Argumento para o mercado
Para o setor exportador, levar esses dados ao Subcomitê de Pecuária da FAO — órgão que orienta as diretrizes pecuárias globais — funciona como uma defesa comercial estratégica baseada em critérios científicos frente às barreiras e exigências internacionais. Fernando Zelner, Diretor de Sustentabilidade da ABIEC, conclui sobre o valor da iniciativa:
“Isso é fundamental para a exportação e para a gente trazer os dados duros, com ciência bem fundamentada, para mostrar para o mundo por que a nossa carne é sustentável e por que que o nosso produto é confiável e merece estar em todas as prateleiras dos supermercados do mundo.”
Cenário global
Enquanto os principais concorrentes mundiais enfrentam retrações históricas em seus rebanhos — a América do Norte registra o menor efetivo em 70 anos, a União Europeia o menor em 30 anos e o Mercosul opera em níveis mínimos de seis anos —, o Brasil consolidou o maior rebanho comercial do planeta, com 192,6 milhões de cabeças em 2024.
O crescimento produtivo ocorreu sem necessidade de avanço predatório: o País utiliza 30,2% do seu território para a agropecuária e mantém 66,3% da vegetação nativa preservada, sendo que metade desse montante (33,2%) está resguardada por lei dentro das propriedades privadas.
Esse desacoplamento entre área de uso e volume produzido é demonstrado pelo chamado “efeito poupa-terra”. Entre 2004 e 2024, a produção brasileira de carne bovina cresceu mais de 240%, ao mesmo tempo em que a área total de pastagens encolheu 11% (recuando de 181 para 160 milhões de hectares).
Na prática, a evolução dos índices zootécnicos evitou a abertura de 397 milhões de hectares que seriam necessários se o país estivesse produzindo com a mesma eficiência de 1990.

