HomeEcologiaEconomia

El Niño traz sério risco para a agropecuária no Centro-Oeste

El Niño traz sério risco para a agropecuária no Centro-OesteGado vai sofrer com excesso de calor. Foto: Valter Campanato/ABr

Adotar boas práticas é vital para encarar crise climática, diz pesquisador
MT tem maior número de focos de queimada em março
Tarifaço abre oportunidade para novos mercados no Centro-Oeste

Resumo

  • Especialistas do Inmet e do Instituto Equilíbrio alertam que o Centro-Oeste será uma das regiões mais afetadas pelo próximo El Niño, previsto para começar no segundo semestre.
  • O fenômeno deve provocar secas prolongadas e veranicos na primavera, elevando o risco na fase de plantio e no desenvolvimento inicial de culturas cruciais como soja e milho.
  • Altas temperaturas e a falta de chuvas tendem a reduzir a qualidade das pastagens na região, prejudicando a engorda do gado e causando estresse térmico nos animais.
  • Meteorologistas orientam que os produtores evitem plantar no seco e aguardem o retorno da umidade no solo para iniciar a semeadura, mitigando o risco de perdas financeiras e replantio.

O Centro-Oeste deve ser uma das regiões no Brasil mais impactadas pelo fenômeno El Niño, previsto para o segundo semestre deste ano. Na última semana, a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Meteorológica Mundial e o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) alertaram para a possibilidade de um “Super El Niño”.

Segundo especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Equilíbrio, ouvidos pelo site Money Times, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial trará reflexos diretos para o agronegócio da região, exigindo monitoramento constante das lavouras de soja e milho.

Diferente do Sul do País, que deve registrar excesso de chuvas, a previsão para o Centro-Oeste indica estiagens mais extensas e um aumento de veranicos durante a primavera.

De acordo com nota técnica conjunta do Inmet e do Ministério da Agricultura e Pecuária, o momento mais crítico ocorrerá na safra de verão, quando a escassez hídrica pode comprometer a implantação das lavouras e o desenvolvimento inicial das plantas de sequeiro.

A intensidade do fenômeno ainda divide os cientistas entre um evento moderado ou um “super” El Niño. Independentemente da força, o setor produtivo precisará de cautela.

A expectativa do Inmet é de que os efeitos comecem no final do inverno deste ano, atinjam o pico na primavera e se estendam pelo verão. Como o ciclo de enfraquecimento do fenômeno é lento, os reflexos podem persistir até meados do ano seguinte.

Riscos para a pecuária e custos de produção

Além da agricultura de grãos, a pecuária de corte — pilar econômico do Centro-Oeste — também está no radar. As altas temperaturas combinadas com a estiagem prolongada afetam diretamente a qualidade das pastagens, dificultando o ganho de peso do rebanho bovino.

O calor excessivo gera ainda estresse térmico, o que reduz o desenvolvimento dos animais e, em cenários extremos, aumenta o risco de perdas de cabeças de gado.

A imprevisibilidade do clima deve encarecer a atividade na região. A volatilidade global de preços e o aumento da sinistralidade tendem a elevar o prêmio dos seguros agrícolas, encarecendo os custos de proteção para o produtor rural.

Estratégias de manejo e planejamento

Para enfrentar o período de seca, especialistas recomendam rigidez no planejamento. A orientação do Inmet é que os produtores do Centro-Oeste não antecipem a semeadura confiando em previsões incertas. O recomendável é aguardar a consolidação da umidade no solo após o retorno das primeiras chuvas, evitando gastos extras com replantio.

Práticas de manejo sustentável também são apontadas como diferenciais para mitigar perdas. Técnicas de agricultura regenerativa, como a manutenção da palhada no campo para reter a umidade do solo, ajudam a proteger as plantações contra os efeitos dos veranicos na região.