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Líder nacional: como MS avança em ILPF para multiplicar ganhos

Líder nacional: como MS avança em ILPF para multiplicar ganhosILPF ajudou a reduzir em 52% as pastagens de baixo vigor em MS. Foto: Embrapa

Produtores recuperam pastagens e áreas degradadas em Mato Grosso
Fundo Clima terá até R$ 15 bi em parcerias com BID e Banco Mundial
Cinco caminhos para ampliar a produção integrada no Brasil

Resumo

  • MS tem a maior área de ILPF do Brasil: mais de 3,6 milhões de hectares, à frente de MT e RS.
  • As pastagens de baixo vigor caíram 52% em uma década — de 6,2 (2010) para 2,9 milhões de ha (2024).
  • Estudos do Banco Mundial e Embrapa apontam ILPF até 40 vezes mais lucrativa que a pecuária extensiva.
  • Liderança sustentada por políticas estaduais (Prosolo, MS Irriga, ABC+ MS, Precoce MS, FCO Verde) e pelo crédito do FCO.

Por André Garcia

Com mais de 3,6 milhões de hectares (ha) implantados, Mato Grosso do Sul tem a maior área de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Brasil. Abraçada pelo governo e setor privado, a estratégia avança com foco em mercados internacionais, multiplicação de renda para os produtores e retorno milionário ao Estado.

Estudos do Banco Mundial com a Embrapa mostram que em alguns casos a ILPF pode ser 40 vezes mais lucrativa que sistemas como a pecuária extensiva, por exemplo. Além disso, 300 mil empregos podem ser gerados com a recuperação de pastagens degradadas – aumento de 20,6% nas ocupações formais no agronegócio brasileiro.

Mato Grosso do Sul parece estar de olho nessas projeções. Segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), compilado pela Rede ILPF, a área implementada supera a de regiões inteiras, como o Norte (2,0 milhões de ha) e Nordeste (2,54 milhões). No ranking nacional, o estado é seguido por Mato Grosso (2,28 milhões de ha) e Rio Grande do Sul (2,22 milhões).

“O produtor sul-mato-grossense compreendeu cedo que agricultura, pecuária e floresta não competem entre si; ao contrário, podem se complementar e gerar mais eficiência econômica e ambiental” explica o diretor-executivo da Rede ILPF, Rui Rosa.

Ele ressalta, contudo, que as condições não são exclusivas do estado.

“O principal diferencial foi a velocidade com que transformou conhecimento em ação. Hoje, outros estados têm potencial semelhante ou até maior para expandir a ILPF, especialmente aqueles que possuem grandes áreas de pastagens passíveis de conversão.”, acrescenta ele.

Pastagens recuperam o vigor

Essa posição caminha lado a lado com a recuperação de pastagens de baixo vigor produtivo — herança de uma pecuária marcada por baixa lotação animal e manejo inadequado do solo. Em pouco mais de uma década, essa área caiu 52%, passando de 6,2 milhões de ha em 2010 para 2,9 milhões em 2024, segundo o governo estadual.

É justamente esse quadro que a ILPF começa a reverter. Ao combinar lavoura, pecuária e componente florestal na mesma área, em rotação ou consórcio, o sistema recompõe a fertilidade e a estrutura do solo, intensifica a ciclagem de nutrientes e a cobertura vegetal e quebra ciclos de pragas, devolvendo produtividade a pastos antes esgotados.

“Na renda, a ILPF permite diversificar as fontes de receita. Em vez de depender exclusivamente de uma atividade, o produtor pode combinar grãos, carne, leite e madeira, distribuindo riscos e criando novas oportunidades de geração de valor ao longo do ano”, diz Rui.

Política de Estado

O movimento é amparado por políticas públicas e articulação entre governo, produtores e instituições de pesquisa. O objetivo é elevar a produtividade, reduzir a pressão por abertura de novas áreas e consolidar uma agropecuária de baixa emissão de carbono.

“Estamos atuando com planejamento, base técnica e instrumentos financeiros para apoiar o produtor rural nessa transição”, destacou recentemente o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.

Na prática, isso se traduz em um conjunto de programas estaduais:

  • Prosolo: restauração de áreas afetadas por erosão, com práticas conservacionistas, recuperação da fertilidade do solo e melhoria de estradas vicinais.
  • MS Irriga: ampliação da irrigação sustentável e do uso racional da água para intensificar a produção.
  • Plano ABC+ MS: promove sistemas integrados como a ILPF, o plantio direto, o uso de bioinsumos e o manejo de resíduos.
  • Precoce MS: incentiva o manejo eficiente e a pecuária de baixo carbono.
  • FCO Verde: linha de crédito voltada à recuperação produtiva e a projetos sustentáveis; entre 2020 e 2024, foram R$ 812 milhões destinados a 771 projetos.

Crédito sustenta a virada

Em 2025, o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO),  instrumento de crédito mantido pela União e operado principalmente pelo Banco do Brasil, destinou mais de R$ 500 milhões a projetos de correção do solo e recuperação de pastagens.

A maior parte, quase R$ 400 milhões, foi para a correção do solo, em 170 projetos; outros R$ 180 milhões financiaram a reforma de pastagens, por meio de 93 cartas-consulta.

O FCO direciona recursos com taxas de juros mais baixas que as de mercado e prazos estendidos, sendo direcionado para quem desenvolve atividades nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

Credibilidade internacional

Para além do ganho ambiental, os esforços miram em mercados mais exigentes. Compradores na Europa e na Ásia cobram cada vez mais comprovação de origem sustentável e de baixa emissão. Não à toa, a Semadesc e o Fundems investem R$ 7,6 milhões em certificação e monitoramento de carbono na soja e no milho.

Na pecuária, a implementação do Sistema Estadual de Rastreabilidade Bovina começou a avançar neste ano, com previsão de cobertura total até 2032. Além disso, conforme o Governo do Estado, está sendo desenvolvido o Selo Verde, que reunirá dados ambientais e produtivos para dar transparência socioambiental às cadeias da carne e da soja.

Saiba mais

O que é ILPF?

ILPF é uma estratégia que reúne produção agrícola, criação de animais e manejo florestal em uma área única. O objetivo é intensificar o uso do solo de forma sustentável, maximizar a produtividade agrícola e promover o equilíbrio ambiental. Sua adoção traz benefícios como diversificação de receitas, resiliência a variações climáticas e sequestro de carbono. Também contribui para recuperar áreas degradadas, reduzir uso de insumos químicos e ampliar a renda do produtor.

 

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