Resumo
- Durante a SB64 na Alemanha, líderes mundiais, cientistas e indígenas debateram o impacto dos incêndios florestais, que deixaram de ser apenas crises locais para se tornarem grandes emissores de poluentes na atmosfera.
- O painel discutiu a transição dos discursos para a aplicação prática do manejo integrado do fogo, visando conter os danos ecológicos antes da COP31.
- O Chamado à Ação lançado pelo Brasil, que propõe trocar o combate emergencial pela prevenção unindo ciência e tradição indígena, já conta com o apoio de 67 nações.
- O evento reforçou que o sucesso das estratégias depende de verbas globais e do fortalecimento de parcerias entre governos, ONGs e quem vive diretamente nas áreas afetadas.
Os incêndios florestais ganharam uma nova escala de preocupação global, consolidando-se como grandes emissores de gases de efeito estufa e ameaças diretas ao equilíbrio do clima e das comunidades. Diante desse cenário alarmante, a conferência climática da ONU (SB64), realizada em Bonn, na Alemanha, sediou um debate estratégico focado em transformar o manejo preventivo do fogo em uma ferramenta central contra a crise climática.
O painel, batizado de “From Action to Implementation: Scaling Fire Solutions to Reduce Wildfire Emissions” (“Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”), nasceu por iniciativa do SOS Pantanal, contando com a cooperação do Ipam, da organização Uma Gota no Oceano e do Hub Global de Manejo do Fogo da FAO.
Do papel à prática antes da COP31
O encontro deu tração aos compromissos assumidos no Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo, lançado pelo Brasil. A proposta defende a substituição do combate emergencial por políticas de prevenção e uso ecológico do fogo, alinhando tecnologia de ponta aos conhecimentos de povos tradicionais.
O acordo, que começou com 50 assinaturas, já foi adotado por 67 países. Agora, o foco corre contra o tempo: estruturar a aplicação prática dessas metas em larga escala antes da realização da COP31 na Türkiye.
A conferência dividiu seus trabalhos em duas frentes: o mapeamento dos índices de emissões globais causados pelas queimadas combinados a relatos práticos de preservação territorial, seguido por uma discussão focada em governança, financiamento externo e cooperação mútua entre as nações.
A voz de quem protege o território
A presença dessa pauta na SB64 busca dar visibilidade e atrair verbas para metodologias que nascem nas bases comunitárias de biomas sob forte pressão ambiental, transformando ações isoladas em políticas governamentais consolidadas.
Representantes das entidades envolvidas reforçaram a urgência do tema:
“Trazer a experiência que tivemos no Pantanal nos últimos anos é muito valioso neste cenário global. Mostramos como a integração de quem está no território com o poder público e organizações não governamentais pode surtir efeito prático e escalar para uma política pública que ouve o território”, afirma Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação do SOS Pantanal.
Para Aane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, não será possível cumprir as metas climáticas globais sem enfrentar o crescente impacto dos incêndios florestais.
“O fogo já é uma importante fonte de emissões e ameaça algumas das principais soluções e maiores estoques de carbono do planeta. A boa notícia é que já existem soluções: ampliar o Manejo Integrado do Fogo pode reduzir emissões, fortalecer a resiliência do território e proteger comunidades e ecossistemas em todo o mundo”, destaca Anw.
“Comunicar sobre queimadas é fundamental para tornar visíveis seus impactos socioambientais e seu peso no agravamento da crise climática e, sobretudo, para afirmar que sua prevenção não só é possível como urgente e indispensável.”, afirma Maria Paula Fernandes, Diretora Executiva da organização Uma Gota no Oceano.

