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Contra incêndios, 67 países apoiam manejo integrado do fogo

Contra incêndios, 67 países apoiam manejo integrado do fogoIdeia é substitur combate emergencial por prevenção. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Pantanal e Amazônia vivem piores índices de queimadas em 40 anos
Governo propõe prisão de até 18 anos para quem causa incêndios florestais
Além do fogo, brigadistas enfrentam nível baixo de rio para se deslocar

Resumo

  • Durante a SB64 na Alemanha, líderes mundiais, cientistas e indígenas debateram o impacto dos incêndios florestais, que deixaram de ser apenas crises locais para se tornarem grandes emissores de poluentes na atmosfera.
  • O painel discutiu a transição dos discursos para a aplicação prática do manejo integrado do fogo, visando conter os danos ecológicos antes da COP31.
  • O Chamado à Ação lançado pelo Brasil, que propõe trocar o combate emergencial pela prevenção unindo ciência e tradição indígena, já conta com o apoio de 67 nações.
  • O evento reforçou que o sucesso das estratégias depende de verbas globais e do fortalecimento de parcerias entre governos, ONGs e quem vive diretamente nas áreas afetadas.

Os incêndios florestais ganharam uma nova escala de preocupação global, consolidando-se como grandes emissores de gases de efeito estufa e ameaças diretas ao equilíbrio do clima e das comunidades. Diante desse cenário alarmante, a conferência climática da ONU (SB64), realizada em Bonn, na Alemanha, sediou um debate estratégico focado em transformar o manejo preventivo do fogo em uma ferramenta central contra a crise climática.

O painel, batizado de “From Action to Implementation: Scaling Fire Solutions to Reduce Wildfire Emissions” (“Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”), nasceu por iniciativa do SOS Pantanal, contando com a cooperação do Ipam, da organização Uma Gota no Oceano e do Hub Global de Manejo do Fogo da FAO.

Do papel à prática antes da COP31

O encontro deu tração aos compromissos assumidos no Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo, lançado pelo Brasil. A proposta defende a substituição do combate emergencial por políticas de prevenção e uso ecológico do fogo, alinhando tecnologia de ponta aos conhecimentos de povos tradicionais.

O acordo, que começou com 50 assinaturas, já foi adotado por 67 países. Agora, o foco corre contra o tempo: estruturar a aplicação prática dessas metas em larga escala antes da realização da COP31 na Türkiye.

A conferência dividiu seus trabalhos em duas frentes: o mapeamento dos índices de emissões globais causados pelas queimadas combinados a relatos práticos de preservação territorial, seguido por uma discussão focada em governança, financiamento externo e cooperação mútua entre as nações.

A voz de quem protege o território

A presença dessa pauta na SB64 busca dar visibilidade e atrair verbas para metodologias que nascem nas bases comunitárias de biomas sob forte pressão ambiental, transformando ações isoladas em políticas governamentais consolidadas.

Representantes das entidades envolvidas reforçaram a urgência do tema:

“Trazer a experiência que tivemos no Pantanal nos últimos anos é muito valioso neste cenário global. Mostramos como a integração de quem está no território com o poder público e organizações não governamentais pode surtir efeito prático e escalar para uma política pública que ouve o território”, afirma Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação do SOS Pantanal.

Para Aane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, não será possível cumprir as metas climáticas globais sem enfrentar o crescente impacto dos incêndios florestais.

“O fogo já é uma importante fonte de emissões e ameaça algumas das principais soluções e maiores estoques de carbono do planeta. A boa notícia é que já existem soluções: ampliar o Manejo Integrado do Fogo pode reduzir emissões, fortalecer a resiliência do território e proteger comunidades e ecossistemas em todo o mundo”, destaca Anw.

“Comunicar sobre queimadas é fundamental para tornar visíveis seus impactos socioambientais e seu peso no agravamento da crise climática e, sobretudo, para afirmar que sua prevenção não só é possível como urgente e indispensável.”, afirma Maria Paula Fernandes, Diretora Executiva da organização Uma Gota no Oceano.