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Soja livre de desmatamento abastecerá aviões

Soja livre de desmatamento abastecerá aviõesNovo biocombustível emite 70% menos gases de efeito estufa. Foto: Bunge

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Resumo

  • Petrobras, Bunge e Vibra realizam projeto-piloto que validou o primeiro lote global de SAF (combustível sustentável de aviação) feito a partir de soja livre de desmatamento recente.
  • O novo biocombustível emite 70% menos gases de efeito estufa em comparação ao querosene fóssil tradicional.
  • A Vibra distribuirá 4 milhões de litros do combustível coprocessado no Aeroporto do Galeão (RJ), utilizando óleo de soja certificado esmagado pela Bunge em Mato Grosso.
  • A certificação atesta que a matéria-prima cumpre critérios rigorosos internacionais (sem desmatamento pós-2008), preparando o setor aéreo para as metas ambientais globais.
  • :A Petrobras planeja certificar mais três refinarias em São Paulo e Minas Gerais, visando suprir toda a demanda nacional por SAF até 2029.

Uma parceria estratégica entre a Petrobras, a Bunge e a Vibra resultou na primeira certificação global de um lote de combustível sustentável de aviação (SAF) originado do cultivo de soja rastreada e livre de desmatamento. De acordo com reportagem do Valor Econômico, o avanço técnico comprova que o biocombustível é capaz de reduzir em 70% as emissões de gases de efeito estufa quando comparado ao querosene de aviação convencional, de matriz fóssil.

A operação envolve a entrega de 4 milhões de litros de querosene coprocessado pela Petrobras na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. A distribuição será realizada pela Vibra no Aeroporto Internacional do Galeão.

“A comercialização do primeiro SAF do mundo com soja certificada com baixo risco ILUC demonstra o compromisso da Petrobras com a sustentabilidade, a transição energética e com o desenvolvimento de produtos alinhados às demandas do mercado e da sociedade. Mais que isso, também reflete nosso firme propósito de incentivar a cadeia produtiva de nossos fornecedores a adotarem práticas sustentáveis verificáveis”, afirmou a diretora de logística, comercialização e mercados da Petrobras, Angélica Laureano.

Na parceria, a Bunge é responsável pela originação e certificação da soja e pela produção do óleo vegetal em sua unidade de esmagamento de Rondonópolis (MT).

“Os dados oficiais de lavouras brasileiras publicados pela Conab demonstram que o ganho de produtividade da soja ao longo da última década foi maior que 20%, fruto de um extenso trabalho de desenvolvimento das melhores práticas no campo”, afirmou a diretora de Soluções Para Combustíveis Renováveis da Bunge na América do Sul, Christini Kubo.

Exigência internacional

A iniciativa é pioneira no mundo ao certificar a soja especificamente para o mercado de aviação. Esse aval ganha relevância diante das metas de descarbonização que as companhias aéreas precisarão cumprir globalmente a curto prazo, exigindo comprovação rígida sobre a origem sustentável dos combustíveis utilizados.

O lote recebeu o selo da International Sustainability & Carbon Certification (ISCC) — entidade reconhecida pela Organização da Aviação Civil Internacional (Icao). O certificado assegura que a matéria-prima agrícola não causou desmatamento após o ano de 2008. “Não adianta descarbonizar com um combustível que provocou desmatamento”, pondera Cristini Kubo, diretora de Soluções para Combustíveis Renováveis da Bunge.

Para viabilizar o selo definitivo do SAF, toda a rota logística precisou ser auditada: desde as propriedades rurais produtoras, passando pela indústria de esmagamento no Mato Grosso, pelo refino na Reduc, até os tanques da Vibra no Galeão — base que já operava certificada.

Desafios de insumos

“É um projeto piloto para mostrar que estamos prontos como cadeia”, avalia Daniel Sales, gerente executivo de Comercialização no Mercado Interno da Petrobras.

De acordo com o executivo, o principal entrave atual para a expansão do SAF não está na infraestrutura das indústrias, mas na oferta regular de matérias-primas que disponham dessas certificações rigorosas.

Atualmente, a Reduc responde como a única planta da estatal habilitada para o coprocessamento com insumos renováveis, operando com mistura de 1% (atendida anteriormente por óleo de milho). Contudo, a Petrobras planeja certificar outras três unidades regulares até o encerramento do ano: a Regap (MG), a Revap (SP) e a Replan (SP).

A consolidação dessas refinarias permitirá que a companhia absorva a demanda total de SAF projetada até 2029, elevando a participação de conteúdo renovável para até 5% no produto final enviado às empresas aéreas.

A escala da soja

Embora existam outras fontes alternativas em análise para o desenvolvimento de combustíveis verdes na aviação, o óleo de soja desponta como a solução mais viável em volume de produção no cenário nacional. “O que o Brasil tem em escala para suprir é óleo de soja”, aponta Cristini Kubo.

A expressiva redução de 70% nas emissões só foi alcançada porque a Bunge utilizou indicadores auditados das fazendas parceiras de seu Programa de Agricultura Regenerativa, além do rastreamento total de seus fornecedores. Caso a certificação dependesse apenas de médias globais padronizadas do setor de grãos, a diminuição de poluentes ficaria restrita a um patamar de 30%.