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Usina de MT vende 10 mil créditos de carbono para Europa

Usina de MT vende 10 mil créditos de carbono para EuropaA FS, grande produtora de etanol de milho, fica em Lucas do Rio Verde. Foto: FS

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Resumo:

FS vendeu 10 mil créditos de carbono à Freepoint Commodities Europe.

Créditos vêm do projeto BECCS em Lucas do Rio Verde (MT), que estoca CO₂ no subsolo.

Injeção de carbono prevista para setembro de 2026; projeto é piloto da ANP.

Com aporte de R$ 384,3 mi do BNDES, FS quer ser 1ª no etanol carbono negativo.

Por André Garcia

A FS, grande produtora de etanol de milho, fechou um acordo para vender 10 mil créditos de carbono para a Freepoint Commodities Europe. Esses créditos vêm de um sistema inovador que captura e armazena o gás carbônico ($CO_2$) gerado na produção do combustível.

O projeto funciona em Lucas do Rio Verde (MT) e usa uma tecnologia chamada BECCS. O sistema recolhe o $CO_2$ que seria lançado na atmosfera e o guarda em segurança no subsolo, em reservatórios de pedra profundos. Isso garante que o gás seja retirado do ambiente de forma definitiva.

A iniciativa é considerada um modelo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e vai ajudar a criar as regras para esse tipo de atividade no Brasil. A empresa recebeu a licença para instalar os equipamentos em novembro de 2025 e planeja começar a enviar o gás para o subsolo em setembro de 2026.

Com a operação, a FS se posiciona como a primeira empresa a produzir etanol com balanço negativo de carbono, segundo a própria companhia. O acordo com a Freepoint, afirmou a produtora, reflete a maior demanda global por créditos de remoção de carbono de alta integridade. As informações são da Forbes.

Financiamento e capacidade de armazenamento

O projeto de captura e estocagem de CO₂ recebeu, no fim de 2025, financiamento de longo prazo de R$ 384,3 milhões aprovado pelo BNDES, por meio do programa Mais Inovação. Com os recursos, a empresa construirá uma unidade capaz de comprimir, injetar e armazenar o CO₂ em reservatórios sedimentares salinos da Bacia dos Parecis, abaixo da própria indústria.

A meta da FS é remover 100% das emissões da unidade de Lucas do Rio Verde, cerca de 423 mil toneladas de CO₂ por ano. Segundo a companhia, o potencial estimado de armazenamento é de aproximadamente 12 milhões de toneladas de carbono ao longo de 30 anos.

“O BECCS representa um avanço decisivo na nossa trajetória de sermos referência global em combustível de pegada de carbono negativa. Essa tecnologia abre novos mercados, como o de créditos de carbono, e posiciona o Brasil na vanguarda da transição energética”, afirmou o CEO da FS, Rafael Abud, à época do anúncio do financiamento.

Movimento avança em MT

O movimento ocorre em meio à expansão do etanol de milho como vetor de descarbonização. Em maio, a Organização Marítima Internacional (IMO) definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de CO₂-equivalente por megajoule, abrindo caminho para o transporte marítimo como mercado futuro do setor.

A FS opera três usinas em Mato Grosso — em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste — e teve recentemente aprovado pelo BNDES um financiamento de R$ 500 milhões para uma quarta planta, em Campo Novo do Parecis.

Saiba mais

O que são créditos de carbono

Um crédito de carbono é um título que representa a redução ou a remoção de uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. A lógica é simples: empresas e países que precisam compensar suas emissões compram esses créditos de projetos que comprovadamente evitaram ou retiraram gases de efeito estufa do ar. Existem dois grandes tipos. Os créditos de redução vêm de projetos que deixam de emitir o que emitiriam — como uma usina que troca combustível fóssil por energia renovável. Já os créditos de remoção, caso do projeto da FS, vão além: capturam fisicamente o CO₂ e o tiram de circulação, seja por meios naturais (reflorestamento) ou tecnológicos (como o armazenamento geológico do BECCS).

 

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