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Clima extremo vira novo desafio para o seguro rural no País

Clima extremo vira novo desafio para o seguro rural no PaísFoto: Mapa

Clima causa perda de R$ 180 bi e pressiona agro por proteção
Mudanças climáticas são grandes desafios para o seguro rural
Com seca e queimadas demanda por seguro pecuário cresce 27%

Resumo

  • O Brasil cobre apenas 10% dos prejuízos causados por eventos climáticos extremos, enquanto a média mundial é de 40% (dados da CNseg).
  • O alerta se intensifica com a probabilidade de 80% de um El Niño forte no segundo semestre de 2026.
  • Especialistas apontam que os seguros tradicionais foram criados para riscos antigos e não cobrem adequadamente as perdas atuais.
  • O seguro paramétrico, que indeniza com base em índices climáticos, subiu de menos de 10 apólices em 2021 para mais de 170 em 2024, alcançando 11 mil hectares em 2025 (FGV Agro). Mas o número ainda é pequeno diante da área agrícola do País.
  • Eventos climáticos afetam a renda, o acesso ao crédito e os investimentos futuros, transformando perdas agrícolas em crises econômicas amplas.

 

Enquanto o mundo caminha para uma média de 40% de cobertura securitária contra eventos climáticos extremos, o Brasil ainda protege financeiramente apenas 10% das perdas causadas por esses eventos — deixando 90% dos prejuízos sem qualquer mecanismo de compensação. Os números são sso Radar de Eventos Climáticos e Seguros, da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras).

O diagnóstico ganha urgência com a possibilidade de retorno do El Niño ao Brasil no segundo semestre de 2026, com probabilidade estimada em 80% de o fenômeno se manifestar com forte intensidade.

Para Ana Carolina Mello, sócia-diretora da consultoria Avanza, o modelo tradicional de precificação de risco já não acompanha a realidade atual.

“O conjunto [de eventos climáticos] sangra o setor, e na maioria dos países a maior parte do prejuízo fica descoberta porque os produtos disponíveis foram desenhados para outro tipo de risco”, afirma.

Uma das respostas do mercado ao novo cenário é o avanço do seguro paramétrico rural — modalidade que paga indenizações com base em índices climáticos pré-definidos, em vez de depender da comprovação de perdas caso a caso.

Segundo levantamento da FGV Agro, o número de apólices desse tipo saltou de menos de dez, em 2021, para mais de 170 em 2024, com a área coberta passando de menos de 200 hectares para mais de 5.500 hectares no período. Em 2025, a área segurada por esse modelo chegou a 11 mil hectares.

Apesar do crescimento, os números ainda são pequenos diante do tamanho da área agrícola do país — o que reforça o alerta da executiva sobre a necessidade de o setor se antecipar, e não apenas reagir, aos eventos climáticos:

Para Fabio Damasceno, diretor técnico de seguro rural da Mapfre, o custo de um evento climático começa antes da perda em si.

“Quando isso ocorre, os efeitos ultrapassam os limites da propriedade rural. A perda de renda reduz investimentos, dificulta o acesso ao crédito e compromete o financiamento dos ciclos seguintes. O problema deixa de ser agrícola e passa a ser econômico”, diz.

Já Ricardo Dornellas, da corretora D3 Seguros, destaca que os efeitos do fenômeno variam por região — provocando mais chuvas e tempestades no Sul e Sudeste, e estiagens no Norte e Nordeste. No campo, as chuvas em excesso podem comprometer lavouras, provocar erosão do solo, favorecer doenças nas plantações e danificar galpões, silos, cercas, máquinas e estradas de acesso. Segundo ele, embora não seja possível evitar os eventos extremos, é possível reduzir seus impactos com medidas preventivas e revisão criteriosa das apólices.

“A recomendação é conferir se todos os bens estão corretamente relacionados na apólice e quais eventos climáticos fazem parte da cobertura contratada.”