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Mais exigente, Europa paga mais caro por carne de MT

Mais exigente, Europa paga mais caro por carne de MTDiferença entre China e Europa é de US$ 1.645 por tonelada. Foto: Abiec

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Resumo:

  • A União Europeia pagou US$ 6.390 por tonelada de carne bovina mato-grossense no primeiro semestre de 2026, contra US$ 4.745 pagos pela China, diferença de US$ 1.645 por tonelada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
  • No Índice de Atratividade das Exportações, do Imea, a União Europeia lidera com 108,49, seguida pelos demais países europeus (98,59), enquanto a China aparece em 74,37, atrás de Oriente Médio (76,58) e América do Norte (75,47).
  • A China segue como principal destino em volume, com 55,2% dos embarques mato-grossenses no semestre, o que mantém o prêmio europeu concentrado em uma fatia menor da produção.
  • A partir de 3 de setembro, o Regulamento (UE) 2023/905 retira o Brasil da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal ao bloco enquanto não houver comprovação sobre o uso de antimicrobianos.
  • Em 30 de dezembro entra em vigor, para grandes operadores, a lei antidesmatamento europeia (EUDR), que condiciona a compra à comprovação de que o produto não veio de área desmatada depois de 31 de dezembro de 2020.

Por André Garcia

A carne bovina produzida em Mato Grosso vale 35% a mais quando embarca para a Europa. No primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou em média US$ 6.390 por tonelada, e os demais países do continente, US$ 6.667 — contra US$ 4.745 pagos pela China, maior compradora em volume.

O mercado que paga mais também é o mais exigente. A cobrança sobre o histórico do animal, propriedade habilitada e origem livre de desmatamento se tornará ainda mais rígida no fim do ano, com a entrada em vigor da lei antidesmatamento europeia.

Neste cenário, o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, avalia que tanto China quanto Europa cumprem funções diferentes e complementares.

“A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento”, diz.

Para ele, isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção do estado.

“Diversificar mercados significa aumentar a segurança comercial da pecuária mato-grossense. Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental”, completou Andrade.

Menos volume, mais dinheiro

Os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a diferença para o bloco europeu é de US$ 1.645 por tonelada, ou 34,7% acima do preço chinês. Considerados os países europeus fora da União Europeia, o prêmio chega a 40%.

O contraste separa duas lógicas comerciais. A China absorveu 55,2% dos embarques mato-grossenses no período e responde pela escala; a Europa compra menos e paga pelo que exige em qualidade, regularidade e rastreabilidade.

O Imea acompanha essa distância pelo Índice de Atratividade das Exportações, que compara a remuneração de cada mercado com o valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Quanto maior o índice, maior o valor agregado que o destino devolve à cadeia.

A União Europeia lidera com 108,49, seguida pelos demais países da Europa, com 98,59. A China registra 74,37, atrás do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47).

Regra europeia passa a valer em dezembro

A partir de 30 de dezembro de 2026, A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) passa a ser plenamente aplicado e exige comprovação, por certificado sanitário e rastreabilidade, de que os animais destinados ao bloco não receberam determinados antimicrobianos ao longo da vida produtiva.

Na prática, a norma determina que gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma só entrem no bloco mediante comprovação de que não foram produzidos em área desmatada depois de 31 de dezembro de 2020, e passa a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas.

Saiba mais

O que é a EUDR? — É o regulamento europeu sobre produtos livres de desmatamento, aprovado em 2023, que proíbe a entrada no bloco de carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de derivados como o couro, quando produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020. O importador europeu precisa apresentar uma declaração de diligência devida com a geolocalização das áreas de origem e a comprovação de que a produção respeita a legislação do país produtor. A aplicação foi adiada duas vezes e passa a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes operadores e comerciantes e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas.

 

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