Resumo:
- Produtores com práticas regenerativas contratam seguro agrícola com custo cerca de 50% menor e cobertura de 30% a 40% superior, em projeto-piloto da BB Seguros no Consórcio Reg.IA
- Na seca de 2022, áreas com o pior nível de manejo perderam até 90% do potencial produtivo, contra 20% em propriedades vizinhas com manejo conservacionista, segundo a Embrapa
- Estudo da Soil Capital com 1.262 propriedades na França mostra perda de 8% em lavouras regenerativas contra 22% nas convencionais
- Na safra 2026/2027, a subvenção do PSR para a soja varia de 20% a 40% conforme o nível de manejo do solo classificado pelo Zarc NM
- Rotação de culturas, plantas de cobertura, matéria orgânica e fertilidade do solo são as práticas que pesam na avaliação da seguradora
Produtores que adotam práticas de agricultura regenerativa já conseguem contratar seguro agrícola com custo cerca de 50% menor e cobertura de 30% a 40% superior à oferecida em sistemas convencionais. A condição está disponível na BB Seguros para participantes de um projeto-piloto desenvolvido no âmbito do Consórcio Reg.IA.
Conforme destacado em publicação do Portal Nacional de Seguros (Segs), a mudança na precificação parte de uma constatação técnica: propriedades com melhor manejo do solo perdem menos produtividade em eventos climáticos extremos e, portanto, representam risco menor para a seguradora.
“O seguro rural sempre foi um instrumento de proteção financeira. Agora, ele passa também a estimular a transição para modelos produtivos mais resilientes”, avalia Paulo Hora, superintendente executivo de Resseguro e Agronegócios da Brasilseg.
Para se ter ideia, durante a seca de 2022, uma das mais severas dos últimos anos, a Embrapa Agropecuária Oeste, de Dourados (MS), monitorou áreas classificadas no nível de manejo 1 do Zarc NM, faixa que reúne as piores condições de solo, e registrou perdas de até 90% do potencial produtivo. Em propriedades vizinhas enquadradas no nível 4, que adotam práticas conservacionistas, as perdas foram de 20%.
O padrão se repete fora do Brasil. Estudo da Soil Capital com 1.262 propriedades na França aponta que lavouras conduzidas com práticas regenerativas perderam 8% de produtividade em episódios severos de seca, contra 22% nas áreas de manejo convencional.
Política pública premia quem maneja melhor
O próprio Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) já conta com diferenciais de subvenção para produtores classificados pelo Zarc NM. Na safra 2026/2027, o percentual aplicado sobre o valor da apólice de soja será de 20% para o nível de manejo 1, 30% para o nível 2, 35% para o nível 3 e 40% para o nível 4. Quanto melhor a classificação, menor o custo de aquisição do seguro.
“Quanto maior a capacidade de mensurar práticas regenerativas e seus impactos na redução do risco, melhor conseguimos precificar o seguro e reconhecer essas propriedades”, acrescenta Paulo.
O que a seguradora olha na propriedade
Entre as práticas que pesam na avaliação estão rotação de culturas, manutenção de plantas de cobertura, aumento da matéria orgânica e melhoria da fertilidade do solo. Segundo Hora, elas reduzem a volatilidade da produção diante de eventos extremos.
“Hoje já conseguimos observar propriedades que aplicam essas práticas apresentando menor frequência de perdas e maior estabilidade produtiva. Isso torna possível oferecer coberturas mais amplas e custos menores para quem investe na saúde do solo”, explica o superintendente.
Saiba mais
Agricultura regenerativa – É um conjunto de práticas voltado a recuperar a saúde do solo, a biodiversidade e os ecossistemas ao mesmo tempo em que mantém ou amplia a produtividade da lavoura. A lógica central é tratar o solo como ativo produtivo, e não como suporte inerte da planta. Isso significa reduzir o revolvimento do solo com plantio direto de qualidade, manter cobertura vegetal permanente, fazer rotação de culturas, aumentar o teor de matéria orgânica, usar insumos de forma mais racional e, em muitos casos, integrar lavoura, pecuária e floresta na mesma área.
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