HomeEconomia

Exigência da União Europeia expõe fragilidade de frigoríficos em MT

Exigência da União Europeia expõe fragilidade de frigoríficos em MTEstudo aponta caminhos para rastreabilidade. Foto: Abrafrigo

Solo resiliente é a arma para enfrentar mudanças climáticas
Saiba as vantagens da agricultura de baixo carbono, destaque do Plano Safra
Nova lei ambiental põe agro em posição crítica, alerta Carlos Nobre

Por André Garcia

Quinze plantas frigoríficas da Amazônia mato-grossense, hoje habilitadas a exportar para a União Europeia, apresentam baixo controle sobre o desmatamento em suas cadeias de fornecimento. Segundo levantamento do Radar Verde, nenhuma delas apresenta evidências públicas de que cumpre a nova regulamentação europeia, que passará a exigir rastreabilidade completa da produção no próximo ano.

Pertencentes a oito empresas, essas plantas têm capacidade de abate de 11.250 animais por dia. De acordo com os critérios do estudo, 13 apresentam baixo nível de controle sobre a cadeia de fornecimento, enquanto duas foram classificadas com nível muito baixo. Nenhuma das empresas respondeu ao questionário enviado pelo Radar Verde para apresentar comprovações sobre o controle socioambiental.

O principal ponto de fragilidade está no monitoramento dos fornecedores indiretos. Embora 12 plantas demonstrem algum nível de controle sobre fornecedores diretos, nenhuma apresentou evidências robustas, como auditorias independentes, que comprovem o acompanhamento das fazendas responsáveis pelas etapas anteriores da criação dos animais.

Essa lacuna permite a chamada “lavagem de gado”, quando animais oriundos de áreas com desmatamento passam por propriedades intermediárias antes de serem vendidos aos frigoríficos, dificultando a rastreabilidade ambiental da produção.

O levantamento também aponta que o risco de novo desmatamento nas zonas potenciais de compra dessas empresas varia de 31 mil a 2,8 milhões de hectares, indicando a exposição das cadeias produtivas a áreas sob pressão ambiental.

Europa eleva exigência sobre rastreabilidade

A nova regulamentação europeia contra o desmatamento exigirá que empresas comprovem, com dados e geolocalização, que produtos como a carne bovina não foram produzidos em áreas desmatadas. A norma deverá entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes empresas e de 30 de junho de 2027 para pequenas e microempresas.

Mesmo representando uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, o mercado europeu vem ganhando relevância. Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas do produto, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão e registrando crescimento de 132,8% em relação ao ano anterior.

Recomendações da análise

Diante desse cenário, o estudo aponta caminhos para avançar na rastreabilidade da cadeia da carne bovina.

Um deles é priorizar a integração de bases de dados já existentes, como os registros de movimentação de gado (GTA), os cadastros de propriedades rurais (CAR) e informações sobre desmatamento e áreas embargadas, permitindo aproximar a análise do risco de desmatamento ao nível das transações e ampliar a visibilidade sobre fazendas fornecedoras indiretas.

Além disso, avaliações comparativas entre empresas, como o próprio Radar Verde, podem ajudar a orientar ações de fiscalização, acordos de compartilhamento de dados e incentivos de mercado, direcionando esforços para as regiões e empresas onde os riscos são mais elevados e as melhorias podem gerar maior impacto.

 

LEIA MAIS:

Frigoríficos da Amazônia não têm rastreabilidade eficaz

Rastreabilidade é trunfo para manter carne nos EUA

Desmate ameaça exportações de carne de MT aos EUA

Baixo controle sobre cadeia da carne prejudica investimentos no setor

Maioria e frigoríficos na Amazônia não controla origem da carne

Baixa produtividade pecuária pode ser revertida com práticas para mitigação de GEE

CNA planeja usar reconhecimento facial para rastrear gado no país