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Seguro rural está ligado a mais produção, aponta estudo

Seguro rural está ligado a mais produção, aponta estudoEstudo analisou dados de todas as regiões. Foto: Instituto Escolhas

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Resumo:

  • Estudo publicado na Revista de Economia e Sociologia Rural indica que a adesão ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) está diretamente ligada ao aumento do valor da produção agrícola no Brasil.
  • O governo federal subsidia parte do custo da apólice, reduzindo os riscos financeiros dos produtores contra intempéries climáticas e pragas, o que estimula maiores investimentos na lavoura.
  • Estudo analisou dados dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017 nas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste para mensurar a expansão da adesão e da receita gerada.
  • Os autores destacam que os achados oferecem subsídios para o governo aprimorar a alocação de recursos e otimizar a eficiência do programa de subvenção.

Produtor que contrata seguro rural investe mais na propriedade — e isso aparece nos números da produção. É o que mostra um estudo publicado recentemente na Revista de Economia e Sociologia Rural, que encontrou uma relação direta entre a adesão ao seguro rural e o crescimento do valor da produção agrícola no país.

O seguro em questão é o do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), criado pelo governo federal em 2004. Na prática, o governo paga parte do valor da apólice, o que deixa o seguro mais barato para quem produz — funciona como um seguro comum, cobrindo perdas por clima, praga ou outros imprevistos, mas com desconto bancado pela União.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Federal de Santa Maria (RS) compararam dados de dois levantamentos oficiais — o Censo Agropecuário de 2006 e o de 2017 — nas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Eles olharam, ao mesmo tempo, quantos municípios tinham produtores segurados e como andava o valor da produção agrícola em cada um, o que permite ver se as duas coisas cresceram juntas.

O Rio Grande do Sul mostra esse padrão com clareza. Em 2006, 36,95% dos municípios gaúchos já tinham produtores com o seguro contratado; em 2017, esse número saltou para 75,84% das cidades. No mesmo período, o valor médio da produção por propriedade passou de cerca de R$ 22 mil para mais de R$ 63 mil — quase triplicou.

O Nordeste partiu de uma base bem menor, mas seguiu na mesma direção, puxado pelo Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A adesão ao seguro, que era de apenas 0,45% dos municípios em 2006, chegou a 5,49% em 2017. Já o valor da produção por propriedade foi de cerca de R$ 11 mil para R$ 16 mil no período.

Em 2006, o Centro-Oeste já se destacava: tinha o maior valor médio de produção por propriedade entre todas as regiões, R$ 36.731,22, com 25,11% dos municípios contando com pelo menos um produtor segurado pelo PSR — resultado puxado pela forte produção de soja e milho em Mato Grosso e Goiás, e pela pecuária em Mato Grosso do Sul. Em 2017, a adesão ao seguro na região saltou para 66,74% dos municípios, e o valor médio da produção por propriedade disparou para R$ 177.885,50 — o maior salto entre todas as regiões estudadas, também puxado por soja e milho.

Segundo os pesquisadores, esse crescimento — tanto na adesão ao seguro quanto no valor da produção — se repetiu em todas as regiões estudadas. Para eles, isso reforça uma explicação simples: com o seguro, o produtor sabe que, se der algo errado — praga, seca, geada, queda no preço —, não vai perder tudo. Essa segurança dá confiança para investir mais na lavoura, o que ajuda a explicar o aumento da produção.

O professor Francisco José Silva Tabosa, da UFC e um dos autores do estudo, resume esse raciocínio: ao contratar o seguro, o produtor ganha mais condições de investir no negócio, e isso se reflete depois no aumento da produção.

“O estudo pode mostrar como o governo pode alocar seus recursos, tornando assim o programa ainda mais eficiente”, diz Tabosa.

Fonte: Agência Bori