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Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticos

Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticosDas medidas apresentadas, 14 valem para todos os produtores. Foto: Agência Brasil

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Resumo

  • Nota Técnica da Embrapa apresentada ao Map traz 163 medidas para migrar da gestão reativa de crises para uma cultura permanente de prevenção e resposta a eventos climáticos.
  • O objetivo do documento vai além do fenômeno atual e propõe o fim da lógica “reativa” (agir só após a crise), estabelecendo uma política permanente de antecipação, prevenção e monitoramento de riscos.
  • Das medidas, 14 valem para todos e incluem uso do Zarc, sistemas de integração (ILP/ILPF), planos de contingência, reservas financeiras e seguro rural.
  • Outras 139 são focadas nas necessidades de cada cadeia (manejo de solo, irrigação, cultivares adaptadas, etc.).
  • Dez medidas dependem de políticas públicas (ações institucionais). Para o Norte, destacam-se a melhoria na prevenção e combate a incêndios florestais, além de maior oferta de crédito para adaptação climática e seguro rural.
  • A Embrapa publicará até meados de setembro um documento específico com recomendações exclusivas para a Região Norte.
  • O Grupo de Trabalho do Mapa entrega seu relatório final nesta semana. O grande desafio agora é o plano de comunicação, para garantir que todo esse “cardápio de tecnologias” e orientações chegue de fato ao produtor no campo.

 

A Embrapa entregou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma Nota Técnica com 163 medidas para reduzir as perdas climáticas na agropecuária de todo o Brasil. Motivada pelas projeções do El Niño 2026/2027, a iniciativa propõe uma mudança estrutural no setor: abandonar a gestão reativa de crises e adotar uma cultura permanente de prevenção, monitoramento e adaptação a eventos climáticos extremos.

Embora o gatilho da ação seja o El Niño — fenômeno que historicamente reduz a precipitação no Centro-Norte do Brasil —, o documento estabelece protocolos para lidar com secas extremas, ondas de calor e risco de incêndios que afetam diretamente o ecossistema do Cerrado e do Pantanal de forma recorrente.

Elaboradas por cerca de 50 especialistas da Embrapa e do Inmet, as 163 medidas estão divididas em horizontes de implementação (imediato, curto, médio e longo prazo) e organizadas em três eixos:

  • 14 medidas para todos: Ações aplicáveis a todo o setor agropecuário. O destaque para o Centro-Oeste envolve o uso estratégico do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a elaboração de planos de contingência, a manutenção da infraestrutura rural e, principalmente, a adoção de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) — modelos que aumentam a resiliência do solo e já possuem forte aderência na região.
  • 139 medidas específicas: Ações focadas diretamente nas cadeias produtivas (grãos, fibras, pecuária, pastagens, etc.). Incluem orientações sobre escolha de cultivares tolerantes ao déficit hídrico, manejo do solo para retenção de umidade, planejamento das operações e tecnologias de irrigação.
  • 10 medidas de apoio a políticas públicas: Ações estruturais que não dependem diretamente do produtor, mas impactam sua operação. Entre elas, a ampliação do seguro rural, o foco em financiamentos para adaptação climática e, crucial para o Centro-Oeste na época de seca, a ampliação da capacidade nacional de detecção e combate a incêndios rurais e florestais.

Foco na antecipação

A orientação técnica central para as fazendas é o tratamento preventivo dos riscos. O documento recomenda a diversificação espacial e temporal da produção, a capacitação das equipes operacionais e o dimensionamento correto da capacidade das propriedades para lidar com choques climáticos, além da criação de reservas financeiras e mecanismos de transferência de risco.

Orientações regionais a caminho

Para adequar as estratégias às realidades locais, a Embrapa confirmou que lançará uma nota técnica com recomendações regionalizadas exclusivamente para o Centro-Oeste até meados de setembro.

O esforço atual integra o Grupo de Trabalho sobre o El Niño do Mapa (criado pela Portaria nº 928/2026), que entregará um relatório unificando os dados da Embrapa, Inmet, Inpe e ANA. O objetivo do Ministério, a partir da entrega deste mapeamento, é estruturar um plano de comunicação coordenado para garantir que as tecnologias de prevenção de danos cheguem o mais rápido possível a quem está no campo.

 

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