Resumo
- Existe 69% de chance de o El Niño estar entre os mais fortes desde 1950, devendo durar até pelo menos março, afirma a NOAA.
- No Centro-Oeste e Matopiba, chuvas mal distribuídas e ondas de calor (5 °C ou mais acima da média por 5 dias ou mais) preocupam entre setembro e outubro.
- O calor extremo prolongado acelera a evapotranspiração da lavoura e reduz rapidamente a reserva de água no solo.
- Há risco de estresse térmico/hídrico, queimaduras em frutos, manchas nas folhas, menor crescimento e perda de produtividade em diversas culturas (soja, milho, café, entre outras).
- Dias quentes e secos no início da safra podem prejudicar a emergência das plantas e aumentar a necessidade de replantio.
O aquecimento contínuo das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical confirma a presença e a consolidação do El Niño. De acordo com projeções da NOAA, existe 69% de probabilidade de este evento estar entre os mais intensos registrados desde 1950, com anomalias de temperatura na água que podem atingir ou superar os 2,5 °C.
Com previsão de se estender até pelo menos março, o fenômeno altera o padrão de circulação de ar em escala global e impõe dinâmicas climáticas bem distintas pelo Brasil: enquanto o Sul segue com volumes de chuva bem acima da média, o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar precipitações abaixo do normal e irregulares a partir de outubro.
O El Niño deve ser um dos principais fatores de atenção para a safra 2026/27. No Centro-Oeste — com destaque para Mato Grosso e Goiás —, além do norte do Sudeste e da região do Matopiba, a principal preocupação para os próximos meses está na combinação de chuvas mal distribuídas com episódios de calor extremo.
Entre setembro e outubro, o fortalecimento do El Niño pode favorecer o surgimento de ondas de calor em momentos cruciais do calendário agrícola.
Pelo critério meteorológico adotado pela Climatempo, uma onda de calor se caracteriza quando a região registra, no mínimo, cinco dias consecutivos com temperaturas 5 °C ou mais acima da média histórica da época.
Impactos no solo, nas plantas e na janela da soja
A ocorrência de dias quentes em sequência acelera a taxa de evapotranspiração da lavoura e reduz rapidamente a umidade disponível no perfil do solo. O resultado é o estresse térmico e hídrico nas plantas, cujos danos variam conforme a cultura, a fase do ciclo e o nível de reserva de água na área.
Entre os problemas potenciais identificados no campo estão:
- Escaldaduras e queimaduras em frutos e sementes;
- Surgimento de manchas foliares e retração do crescimento vegetativo;
- Perda generalizada de potencial produtivo em culturas como soja, milho, café, cana-de-açúcar, citros e hortaliças.
O cenário exige cautela redobrada na abertura do plantio da safra de soja. Caso as ondas de calor coincidam com a fase inicial de emergência e estabelecimento das plântulas, o risco de perda de estande e necessidade de replantio aumenta — um quadro adverso que lembra os desafios enfrentados por muitos produtores no ciclo 2023/24.

