Resumo:
- O pecuarista Arlindo Vilela, de Rondonópolis, aposta na conservação do solo e na intensificação da produção para ampliar a oferta de carne bovina sem abrir novas áreas de pasto, depois de 32 anos na atividade.
- Vilela afirma que a média brasileira produz cinco arrobas por hectare e que já existe tecnologia disponível para produzir 120, o equivalente a 24 vezes mais carne na mesma área.
- Solo bem conservado retém mais água e entrega mais capim por hectare, o que permite manter mais animais na área e acelerar o ganho de peso de cada boi.
- Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, manejo, pastagens, genética, nutrição e gestão são os pontos que elevam a produtividade por hectare.
- Nos últimos 30 anos, a produção brasileira de carne cresceu 146,6%, ritmo 3,6 vezes superior ao do rebanho, enquanto a área de pastagens recuou 18%, para cerca de 160 milhões de hectares (ha), segundo o Beef Report da Abiec.
Por André Garcia
Manter o solo saudável para colher mais capim e sustentar mais bois sem abrir novas áreas são as principais apostas do pecuarista Arlindo Vilela, de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), para produzir até 24 vezes mais. Combinadas, as estratégias elevam a produção de carne, diluem custos fixos e ainda preservam a vegetação nativa da propriedade.
Com 32 anos na atividade, Arlindo trata a intensificação como a principal ferramenta para tornar a produção mais sustentável.
“A média brasileira produz cinco arrobas por hectare. A gente tem condição, já tem tecnologia disponível para produzir 120. E de uma forma muito mais sustentável com o meio todo, no social, no resultado financeiro, no ambiental e também no bem-estar animal”, afirma Vilela.
Solo bem cuidado sustenta mais bois
Na propriedade, o pecuarista afirma que, além do cumprimento da legislação ambiental, uma das prioridades é a conservação do solo, considerado por ele a base para manter a produção no longo prazo.
“Hoje a gente está preocupado com a vida do solo. Isso, para mim, é a base, o solo é o alicerce. Preocupar com a vida do solo é muito importante”, diz o pecuarista.
E não é à toa. Solo bem conservado retém mais água e disponibiliza mais nutrientes à forrageira, o que aumenta a produção de capim por hectare e reduz a queda de oferta na seca. Com mais e melhor pasto, a área sustenta mais animais e cada animal ganha mais peso por dia.
Os dois efeitos se somam no resultado final, porque a arroba por hectare depende tanto da lotação quanto do desempenho individual. Boi que engorda mais rápido também sai mais cedo, e libera o pasto para o lote seguinte.
Tecnologia amplia produção na mesma área
O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, explica que o ganho vem de um conjunto de decisões dentro da porteira, e não de um único investimento.
“A tecnologia tem um papel fundamental para que o produtor consiga produzir mais e melhor dentro da mesma área. Quando aumentamos a produtividade por hectare, com manejo adequado, melhoria das pastagens, genética, nutrição e gestão, conseguimos tornar a atividade mais eficiente. Esse avanço permite conciliar produção, preservação ambiental e resultado econômico dentro da propriedade”, pontua.
A mesma visão é defendida por Arlindo, ao reforçar que preservação e produção não precisam ocupar lados opostos. Pelo contrário, o avanço tecnológico permite elevar a quantidade e a qualidade da carne produzida sem que o resultado financeiro seja colocado acima dos demais aspectos da atividade.
“É produzir mais e melhor. E não é só produzir, não é só sair produzindo de uma forma pesada. Você está afetando o meio, você está afetando pessoas, você está afetando várias condições. Tem que dar resultado? Tem. Mas isso não pode ser acima de tudo”, ressalta o produtor.
Rebanho cresce e área de pasto encolhe
O setor vem crescendo pelo mesmo caminho seguido por Vilela. Nos últimos 30 anos, a produção brasileira de carne cresceu 146,6%, ritmo 3,6 vezes superior ao aumento do rebanho, de 40% no período, segundo o Beef Report, anuário da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O ganho veio acompanhado de retração da área ocupada: a produtividade cresceu 183%, enquanto a área de pastagens diminuiu 18%, para cerca de 160 milhões de hectares (ha). Um dos motores desse movimento é a intensificação. Em 2025, sistemas de confinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP) responderam por 23% dos bovinos abatidos no país.
Saiba mais
Arroba por hectare – É o indicador que mede quanta carne uma propriedade produz em cada hectare de pasto ao longo de um ano. Uma arroba equivale a 15 quilos de carcaça, o peso do boi já abatido e limpo, que é a unidade usada na negociação com o frigorífico. Por isso o mesmo desempenho aparece de duas formas nos levantamentos do setor: a Abiec publica quilos de carcaça por hectare, enquanto o produtor calcula em arrobas, e basta dividir por 15 para passar de uma unidade à outra.
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