HomeProdutividade

Outubro terá calor e chuva abaixo da média no Centro-Oeste

Outubro terá calor e chuva abaixo da média no Centro-OesteExceção, MS terá chuva em partes do estado. Foto: Saul Schramm/Governo de MS

72 cidades de Mato Grosso do Sul enfrentam onda de calor
Centro-Oeste deve enfrentar calor acima da média em maio
2024: o ano mais quente já registrado no Brasil

Resumo

  • Outubro terá menos chuva e calor mais intenso que o normal na maior parte do Centro-Oeste, com temperaturas podendo ficar mais de 2 °C acima da média e riscos de falhas na semeadura de soja, especialmente em Mato Grosso e Goiás.
  • Mato Grosso do Sul foge à regra regional, apresentando um cenário mais favorável com chuvas frequentes e volumosas que ajudam a recuperar a umidade do solo e beneficiam a semeadura e o desenvolvimento inicial das lavouras.
  • O calor intenso combinado com a baixa umidade prejudica o crescimento e a qualidade do pasto para o gado, além de aumentar a necessidade de reposição de água em áreas irrigadas devido à alta evaporação.
  • O Matopiba também enfrenta chuvas abaixo do normal e temperaturas até 1,5 °C acima da média, exigindo plantio de soja e milho sob baixa disponibilidade hídrica.
  • No Tocantins, a semeadura da soja dependerá de chuvas regulares, com alerta para o risco de germinação desuniforme e necessidade de replantio caso ocorram períodos secos prolongados após o plantio antecipado.

 

O Centro-Oeste deve chegar à largada da safra de verão com menos chuva e mais calor do que o normal. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para outubro, divulgada em 25 de setembro, indica chuva abaixo da média na maior parte da região, com exceção de Mato Grosso do Sul, e temperaturas que podem passar de 2 °C acima do padrão do mês. Para quem vai plantar soja, isso aumenta o risco de falhas na semeadura, principalmente em Mato Grosso e Goiás.

As chuvas abaixo da média se concentram em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e em partes de Mato Grosso do Sul, sobretudo no Pantanal e no centro-norte do estado. O sudoeste e o leste sul-mato-grossenses são a exceção: lá, a previsão é de chuva acima da média.

O calor também será destaque. Centro-Oeste e Sudeste terão os maiores desvios de temperatura do país. Na região, a média do mês pode ficar mais de 2 °C acima do normal, principalmente no centro de Goiás (incluindo o Distrito Federal) e no extremo noroeste de Mato Grosso do Sul. No restante, o desvio deve chegar a até 1,5 °C.

Impacto na lavoura

Chuva irregular somada ao calor dificulta manter a umidade do solo, e o ar mais quente faz a terra perder água mais rápido. Em Mato Grosso e Goiás, o Inmet avalia que a menor disponibilidade de água pode atrapalhar a semeadura e comprometer a emergência uniforme, ou seja, plantas que nascem de forma desigual.

O risco é de falhas no estande e até de replantio. O instituto recomenda acompanhar a previsão do tempo e a umidade do solo para escolher as melhores janelas de plantio.

Mato Grosso do Sul tende a ter um cenário mais favorável: com chuvas mais frequentes e volumosas, o solo deve recuperar umidade, o que ajuda a semeadura e o desenvolvimento inicial das lavouras, mesmo com temperaturas altas.

As pastagens também entram no alerta. Menos chuva e calor intenso podem frear o crescimento e a recuperação do pasto, reduzindo a quantidade e a qualidade do alimento disponível para o gado. Em áreas irrigadas, a maior evaporação exige mais reposição de água.

Matopiba: calor e solo com pouca água

No Matopiba, as temperaturas devem ficar até 1,5 °C acima da média em grande parte da região. Para o Nordeste como um todo, o Inmet prevê chuva abaixo do normal na maioria das áreas, com pontos próximos da média no Piauí e na Bahia.

No sul do Maranhão e no sudoeste do Piauí, a soja deve ser plantada com baixa disponibilidade de água no solo. O mesmo vale para a soja e o milho de primeira safra no extremo oeste da Bahia, onde a janela regular de semeadura abre em outubro.

Nesse cenário, o solo mais seco tende a limitar o avanço inicial do plantio e concentrá-lo nas áreas autorizadas para antecipação. Se uma chuva isolada for seguida de período seco, a germinação pode ficar desigual, com risco de replantio, sobretudo nas lavouras semeadas mais cedo. O feijão irrigado do oeste baiano deve exigir mais água por causa do calor.

No Tocantins, a semeadura da soja deve ser escalonada e depender de chuvas mais regulares. Quem plantar cedo corre mais risco de emergência desuniforme e de estande mal formado, caso a seca se prolongue depois do plantio.