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Restauração florestal pode gerar 1,6 mi de empregos no Centro-Oeste

Restauração florestal pode gerar 1,6 mi de empregos no Centro-OesteFoto: Manuela Meyer/Isa

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Resumo:

  • Restaurar de 20% a 50% do passivo de Reserva Legal e APP em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás pode gerar de 620 mil a 1,6 milhão de empregos, segundo estudo da CNI com o Ipam.
  • Mato Grosso tem o maior potencial do país, de 416 mil a cerca de 1 milhão de empregos. O estado soma 3,1 milhões de hectares (ha) de passivo na Amazônia e 1,8 milhão de ha no Cerrado.
  • Goiás tem potencial de 109 mil a 274 mil empregos, e Mato Grosso do Sul, de 97 mil a 242 mil.
  • O cálculo usa uma média de 0,42 emprego por hectare restaurado, com postos temporários e permanentes na coleta de sementes, na produção de mudas, no plantio e na manutenção.

 

Por André Garcia

Restaurar áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente (APP) pode gerar de 620 mil a 1,6 milhão de empregos no Centro-Oeste. É o que mostra estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que mapeou áreas prioritárias para a implementação do Código Florestal na Amazônia e no Cerrado.

Divulgado na semana passada, o estudo considera a restauração de 20% a 50% do déficit de vegetação nativa, em uma cadeia que vai da coleta de sementes ao plantio e à manutenção das áreas. Nos dois biomas, em todo o país, o potencial chega a 3,1 milhões de empregos.

O cálculo parte do passivo ambiental mapeado pelo Termômetro do Código Florestal e aplica uma média de 0,42 emprego por hectare restaurado, índice de pesquisa publicada em 2022. Os cenários consideram a recuperação por restauração ativa.

“A restauração ecológica não apenas como instrumento de conformidade ambiental, mas também como vetor relevante de geração de emprego, dinamização econômica regional e fortalecimento das cadeias produtivas associadas à bioeconomia e aos serviços ecossistêmicos”, diz trecho do estudo.

Mato Grosso concentra maior potencial

Os empregos incluem postos temporários e permanentes, além de serviços técnicos. Segundo o estudo, essa cadeia é formada principalmente por cooperativas, associações, organizações da sociedade civil e pequenas empresas.

Mato Grosso tem o maior potencial do país: de 416 mil a cerca de 1 milhão de empregos. O volume acompanha o tamanho do passivo ambiental, já que, em sua porção amazônica, o estado tem 3,1 milhões de ha a restaurar ou compensar, atrás apenas do Pará, com 3,3 milhões. No Cerrado, são 1,8 milhão de ha.

Fonte: Ipam (2026) com base nos dados do Termômetro do Código Florestal (2025).

No Centro-Oeste, Goiás ocupa a segunda posição no ranking de oportunidades, com 109 mil a 274 mil empregos e 1,3 milhão de ha de passivo. Mato Grosso do Sul tem de 97 mil a 242 mil empregos e 1,1 milhão de ha. Em todo o país, o passivo soma cerca de 20 milhões de ha.

“São ações que impulsionam o desenvolvimento regional e reforçam o compromisso brasileiro com as metas climáticas do Acordo de Paris”, escreve Roberto Muniz, diretor de relações institucionais da CNI, no resumo executivo do estudo.

Restauração também regulariza o imóvel

Como já mostramos, para o produtor, a restauração é uma das formas de regularizar o imóvel. O déficit de Reserva Legal pode ser compensado com a compra de Cotas de Reserva Ambiental (CRA). O de APP, como margens de rio e nascentes, precisa ser recuperado na própria propriedade.

O Brasil tem meta de restaurar 12 milhões de ha até 2030, prevista no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e no compromisso climático assumido no Acordo de Paris.

“O próximo passo é direcionar esforços, acelerar a regularização e criar condições seguras para produzir e investir”, afirma Jarlene Gomes, pesquisadora do Ipam que coordenou o estudo, em texto divulgado pelo instituto.

Saiba mais

O que é restauração ativa? – É a recuperação da vegetação nativa com intervenção direta na área: plantio de mudas, semeadura de sementes nativas ou enriquecimento de áreas degradadas. Difere da regeneração natural, em que a área é isolada e a vegetação volta sem plantio. Como exige coleta de sementes, produção de mudas, preparo do solo e manutenção, a restauração ativa mobiliza mais mão de obra, e é sobre ela que o estudo calcula o potencial de empregos.

 

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