Resumo
- Especialistas, governo e movimentos sociais se reuniram na Embrapa para propor a criação do Polo de Bioinsumos do Cerrado em Goiás.
- A iniciativa busca apoiar principalmente a agricultura familiar, mapeando demandas de seis regiões goianas para captação de recursos.
- Goiás foi escolhido por já possuir um programa estadual de incentivo aos produtos biológicos em vigor desde 2021.
- O projeto visa tornar a agricultura mais regenerativa e reduzir a dependência brasileira de defensivos e adubos químicos importados.
- A criação oficial do polo depende da publicação de uma portaria do Ministério da Integração (MIDR) reconhecendo o comitê gestor do projeto.
Uma união entre governo, pesquisadores, empresas e movimentos sociais quer transformar a produção no campo em Goiás. Nos dias 4 e 5 de novembro, especialistas e lideranças rurais se reuniram na sede da Embrapa Arroz e Feijão para elaborar a proposta de criação do Polo de Bioinsumos do Cerrado, projeto voltado a ajudar principalmente os pequenos produtores do estado.
Mas o que são esses bioinsumos? Em termos simples, são soluções naturais — como bactérias do bem, fungos e outros produtos biológicos — usados no lugar de agrotóxicos ou fertilizantes químicos. Eles ajudam as plantas a crescerem mais fortes, protegem as lavouras contra pragas e doenças, melhoram o solo e cuidam da saúde dos animais.
A elaboração da proposta reuniu representantes de mais de 30 organizações, que formaram um comitê de gestão. O encontro foi liderado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e pela Embrapa. O objetivo é integrar a iniciativa ao programa federal Rotas de Integração Nacional para mapear as demandas de seis regiões de Goiás e buscar financiamento para projetos prioritários.
Goiás foi escolhido para receber a iniciativa por já ser referência no assunto: desde 2021, o estado conta com um programa de incentivo aos produtos biológicos, com apoio de universidades, órgãos de pesquisa e entidades de apoio ao produtor rural.
“Queremos juntar diferentes setores da sociedade para organizar os pequenos produtores, fortalecer a agricultura familiar e transformar políticas públicas em ações práticas”, explicou Daniel Suárez, consultor do MIDR.
Menos química, mais sustentabilidade
Para a Embrapa, o uso de soluções biológicas representa o futuro da produção de alimentos no país. A diretora-executiva da instituição, Ana Euler, destacou durante o evento que o Brasil precisa reduzir a dependência de adubos e defensivos químicos importados.
“Precisamos avançar para uma agricultura que cuide do meio ambiente e seja mais regenerativa. Os bioinsumos ajudam a garantir alimentos saudáveis, protegem as plantações contra mudanças no clima e levam tecnologia para a agricultura familiar”, afirmou Ana Euler.
A Embrapa Arroz e Feijão é referência no estudo dos microorganismos que dão origem a esses produtos naturais. O próximo passo para que o Polo de Bioinsumos do Cerrado saia do papel e seja oficializado é a publicação da portaria pelo MIDR reconhecendo os membros do comitê gestor.

