A medida em que o planeta aquece, o cenário ideal para a ocorrência de queimadas se torna cada vez mais comum. De acordo com estudo publicado na revista Science Advances, o número de dias com calor intenso, ar seco e ventos fortes quase triplicou no mundo nos últimos 45 anos.
Entre 1979 e meados da década de 1990, o planeta registrava, em média, 22 dias por ano com essas condições simultâneas em grandes regiões globais. Em 2023 e 2024, esse número superou 60 dias anuais. Mais da metade desse aumento está ligada ao aquecimento global provocado pela queima massiva de combustíveis fósseis. As informações são do site Um Só Planeta.
“Esses tipos de mudanças que observamos aumentam a probabilidade, em muitas áreas, de incêndios que serão muito difíceis de suprimir”, afirmou à agência AP o coautor do estudo, John Abatzoglou, pesquisador de incêndios da Universidade da Califórnia em Merced.
De acordo com o autor principal, Cong Yin, também pesquisador da Universidade da Califórnia em Merced, outros fatores como disponibilidade de combustível (vegetação), oxigênio e fontes de ignição, naturais ou humanas, continuam sendo determinantes.
“Isso aumenta a probabilidade de surtos generalizados de incêndios, mas o clima é apenas uma dimensão”, disse.
O estudo aponta que mais de 60% do aumento global nos dias de clima de fogo síncrono pode ser atribuído às mudanças climáticas induzidas pelo homem. Para chegar a essa estimativa, os pesquisadores utilizaram simulações computacionais que comparam o clima observado nas últimas décadas com um cenário hipotético sem o acréscimo de gases de efeito estufa provenientes da queima de carvão, petróleo e gás.
Áreas de risco
Os resultados mostram que o fenômeno tem avançado de forma desigual pelo planeta. No território continental dos Estados Unidos, a média anual de dias com clima de fogo síncrono saltou de 7,7 entre 1979 e 1988 para 38 nos últimos dez anos.
O dado mais expressivo, porém, foi registrado na porção sul da América do Sul. A região passou de 5,5 dias anuais no início da série histórica para 70,6 dias na última década — com um pico de 118 dias em 2023.
O trabalho reforça uma tendência já apontada por outras pesquisas recentes. Um estudo publicado em 2023 na revista Nature mostrou que as emissões globais de carbono provenientes de incêndios florestais aumentaram significativamente nas últimas duas décadas, com forte influência do aquecimento global — especialmente em florestas boreais do Canadá e da Sibéria.
Relatórios recentes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) também alertam que incêndios extremos devem se tornar até 50% mais frequentes até o fim do século se as emissões continuarem no ritmo atual.
LEIA MAIS:
Cerrado: saiba qual a diferença entre queimadas e desmatamento
Queimadas de 2024 elevam emissões do metano no Brasil
Queimadas deixam ar na Amazônia mais poluído que o de metrópoles
Multas por queimadas em MS ultrapassam R$ 34 milhões
Agosto tem queda histórica de queimadas; recuo é de 84% em MT

