HomeEcologia

Desastres climáticos no Brasil aumentaram 460% em 32 anos

Desastres climáticos no Brasil aumentaram 460% em 32 anosA seca severa no Rio Paraguai. Foto: Ministério das Minas e Energia

Mudança climática: seca avança pelo Brasil, que registra 1ª região árida
Mundo nunca esteve tão perto de um colapso climático
Artaxo defende governança global para evitar colapso do clima

Quanto mais quente for a temperatura do planeta, mais teremos desastres climáticos, como secas severas, inundações, enxurradas, enchentes e tempestades. Para se ter uma ideia, cada aumento em 0,1°C na temperatura média global de 1991 a 2023 gerou 360 novos registros de eventos desse tipo no Brasil.  Ou seja, de uma média de 725 ocorrências, na década de 1990, o Brasil passou a ter 4.077 registros a partir de 2020, um aumento de 460%.

Os dados, inéditos, são do estudo “2024 – O Ano Mais Quente da História”, primeiro documento da série “Brasil em transformação: o impacto da crise climática”, realizado pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, o primeiro.

A seca, que tem castigado o Centro-Oeste e Norte do País, aparece em metade dos 64.280 desastres climáticos ocorridos em 5.117 municípios brasileiros (quase 92% do total), nos 32 anos analisados pelo estudo. Inundações, enxurradas e enchentes representam 27%; e tempestades 19%. Mais de 219 milhões de pessoas foram afetadas, incluindo mortos, desalojados, desabrigados e enfermos, sendo 78 milhões somente nos últimos quatro anos.

É possível perceber, por meio dos números, o quanto a situação se agravou nos últimos anos. Em apenas 4 anos (2020-2023), o número médio anual de registros (4.077 registros/ano) já é quase o dobro da média anual das últimas duas décadas combinadas (2.073 registros/ano no período de 2000 a 2019).

Em relação aos prejuízos econômicos, eles também aumentaram ao longo das décadas: somaram R$ 547,2 bilhões entre 1995 (primeiro ano da série de dados) e 2023. O prejuízo anual médio desde 2020 é de R$ 47 bilhões – mais que o dobro da média da década anterior, de R$ 22 bilhões anuais.

Este é o primeiro estudo brasileiro a relacionar os registros de desastres climáticos e seus danos econômicos às mudanças de temperatura globais, com o objetivo de fazer uma previsão de cenários para embasar estratégias de prevenção.

O estudo quer mostrar a importância de compreender que as mudanças climáticas são resultado direto das atividades humanas e que os desastres climáticos, intensificados pelas mudanças climáticas, afetam diretamente a população.